Por bianca.lobianco
Publicado 27/12/2016 23:33 | Atualizado 27/12/2016 23:36

Rio - Líderes populistas, sindicatos e movimentos sociais, que atuam “em defesa do trabalhador”, têm a capacidade de contrariar os interesses do próprio trabalhador, ao lançar palavras de ordem que desinformam. O PT, quando no poder, tomou atitudes entreguistas, sem que o pessoal que esbraveja contra tudo e contra todos tivesse reagido.

Um exemplo foram os subsídios às indústrias automobilísticas no governo Dilma, para que vendessem mais carros. Como todas as montadoras no Brasil são estrangeiras, o governo acabou por dar um empurrãozinho nas empresas americanas, japonesas, coreanas, etc., que fizeram bom uso dos lucros resultantes, ao mandar dólares para as matrizes. Tudo em nome do consumidor, sem que ninguém da CUT tivesse chamado Dilma de entreguista.

As palavras de ordem levantadas agora são contra a modernização das leis trabalhistas, uma simplificação que parece defender o trabalhador, mas produz efeito contrário. Matéria do ‘Estadão’ de segunda-feira, “Empresas fazem ginástica contra ações” mostra que na Volkswagen do Brasil, de 1% a 2% da receita vai para ações trabalhistas, enquanto na mesma empresa na África do Sul, esse percentual não passa de 0,2%, e na Europa é quase zero.

Quem quiser dar ao trabalhador mais do que a lei manda, por liberalidade, precisa se preocupar com a CLT, porque o tempo de lazer na academia, ou a ida à biblioteca após o expediente, pode acabar na conta das horas extras. Um curso de inglês gratuito foi descontinuado, para não gerar ações trabalhistas, na mesma empresa.
Apenas um escritório de advocacia abre duas mil ações por mês. Para arranjar clientes utiliza o antiético telemarketing, oferecendo aos trabalhadores futuras ações, quando chegar a hora. Sabe que o juiz sempre dá alguma coisa ao empregado, baseado na lei criada por Getúlio Vargas em 1943, quando o empregado não contava com nenhuma proteção.

Hoje fica claro que flexibilizar itens da CLT, diminuindo a tutela do estado, é melhor para empregador e empregado. Ninguém quer mais contratar ninguém, para não encarar a CLT, e o resultado é que novos empreendedores e respectivas empresas estão minguando. Mas o que sempre pega bem é gritar: “ninguém mexe nos direitos do trabalhador”.  


*Roberto Muylaert é editor e jornalista

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