Por bianca.lobianco

Rio - A cada ano que se inicia o sentimento a ser cultivado é o da esperança por dias melhores. Atolado em sucessivos escândalos de corrupção, que se arrastam por décadas, o país vive um dos momentos mais delicados de sua história. Para os trabalhadores brasileiros, fica difícil enxergar um futuro promissor, com mudanças positivas que possam trazer de volta direitos básicos que a cada dia são retirados por conta do descaso e da má gestão da máquina pública.

Num apertado resumo das garantias que foram suprimidas, podemos destacar a Reforma da Previdência, a ampliação das possibilidades de terceirização de mão de obra, a flexibilização da legislação trabalhista, a Reforma do Ensino. Sem esquecer a tentativa de retrocesso no atendimento de mulheres pela rede pública e a inviabilização do acesso à pílula do dia seguinte.

Um povo como o nosso, reconhecido pelas suas características mais marcantes de hospitalidade e alegria, tem tido poucos motivos para sorrir. O riso tem dado lugar a lágrimas por conta da miséria, da falta de oportunidade e da penúria pelo qual passam os mais de 12 milhões de desempregados e suas famílias, representando o momento do país.

Somados a esse exército de desvalidos estão os jovens sem oportunidade de ingressar no mercado de trabalho. Crianças sem acesso à Educação de qualidade, trabalhando desde cedo ou vagando pelas ruas enquanto deveriam estar na sala de aula. Idosos que trabalharam por toda a vida e, hoje, cansados e doentes, não podem contar com uma aposentadoria digna, fruto de um sistema de previdência arrasado por administrações ruinosas. Famílias inteiras vivendo sem saneamento básico e adequada urbanização. Uma parcela considerável da população vivendo abaixo da linha da pobreza.

Fica o desejo de que este ano novo efetivamente traga vida nova, com renovação no modo de olhar e tratar o ser humano, fazendo prevalecer os direitos de todos e amplo exercício de cidadania. Já passou da hora de promovermos uma sociedade mais justa, uma nação inclusiva e com melhor distribuição de renda e de oportunidades igualitárias para todas as camadas sociais, etnias, gêneros e religiões.

Num momento de tamanha crise ética e moral, fica não só o desejo de uma nova era mais solidária e fraterna, mas também a compreensão da importância da organização dos trabalhadores para impedir retrocessos.

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