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Eugênio Cunha: Escola para a vida

Historicamente, os currículos sempre foram conteudistas, privilegiando excessivamente a formação acadêmica em detrimento da formação humana

Por thiago.antunes

Rio - Deveria ser algo elementar: a escola educar para a vida — mas não é. Historicamente, os currículos sempre foram conteudistas, privilegiando excessivamente a formação acadêmica em detrimento da formação humana.

Por conta disso, o aluno pouco aprende a lidar com situações comuns e frequentes da vida. Situações que requerem o reconhecimento das suas emoções e das emoções dos seus pares, a autocrítica e a autonomia para tomar decisões.

Na Educação, muito tempo foi dedicado (o que é correto) para o desenvolvimento de metodologias, formas de ensinar e de conteúdos; porém, pouco foi discutido acerca da complexidade humana, da sensibilidade do ofício de ensinar e de aprender, da criticidade do trabalho que constrói a práxis pedagógica.

Para compreendermos a escola de hoje, é preciso lançar um olhar sobre a história. A partir da Revolução Industrial, a sociedade burguesa consolidou a instrução escolar como prática que foi delineada mais para homogeneizar as diferenças e menos para permitir o pluralismo. É possível constatar essa concepção que se amalgamou ao longo do tempo, pois a escola também foi pensada como uma fábrica.

Dessa forma, a organização fabril serviria, consequentemente, como modelo. A solidificação do sistema capitalista no século 19 ditou parâmetros para a formação de uma educação elitizada, calcada em regras, vigilância e competição.

Foram forjados maneiras de pensar e modos de relação do homem com seu semelhante, com inegável influência na forma de educar. É preciso, portanto, trazer um pouco de humanidade ao ofício docente, que começa inescusavelmente pelo reconhecimento do papel indispensável do professor. Reconhecer significa melhores salários e condições de trabalho, dentre outras coisas já tão debatidas atualmente.

É preciso construir uma escola que protagonize as relações interpessoais, a habilidade intrapessoal, a consciência do papel cidadão de docentes e discentes. Que seja geradora de conhecimentos construídos segundo princípios éticos, democráticos, inclusivos e solidários.

Eu costumo dizer que a escola é uma árvore que abriga e ensina aos passantes à sua sombra. Sustenta os que se aconchegam e fazem seus ninhos e, como pássaros, alçam seus voos. Como diz Freire, “não há educação fora das sociedades humanas e não há homem no vazio”. A escola deve educar para a vida.

Eugênio Cunha é professor e jornalista

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