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João Tancredo: novos rumos para o Rio de Janeiro

É quando encaramos os alarmantes dados e a dor dos que ficaram que percebemos que a política de segurança pública precisa ser repensada

Por thiago.antunes

Rio - Nas últimas semanas, foram realizadas pelo menos duas manifestações no Rio de Janeiro com o objetivo de refletir e propor soluções para o revoltante número de policiais mortos na Cidade e no Estado como um todo.

O fato é que, embora muito se fale sobre tal problemática, é quando encaramos os alarmantes dados e a dor dos que ficaram que percebemos que a política de segurança pública precisa ser urgentemente repensada.

Somente nos últimos cinco anos mais de 500 policiais militares foram assassinados no Estado do Rio. Este ano, mais de noventa novas famílias enterraram um ente querido policial. Vale ressaltar que no Rio de Janeiro, a Polícia Militar é a que mais mata e também a que mais morre. Porém, mesmo diante desse cenário de sangrenta carnificina, muitos ainda apostam em mais armamentos e endurecimento do sistema penal como possíveis soluções.

Mas, há outros caminhos que nos levam de fato à raiz da questão. Para começar é necessário promover efetiva mudança de perspectiva. Isso porquê a política de segurança pública atual nos oferece apenas o olhar de quem tem sede de identificar um inimigo a ser combatido à todo custo, inclusive vitimizando crianças em suas escolas, famílias em suas casas, trabalhadores em trânsito e aterrorizando todos os cidadãos. 

A lógica de guerra, definitivamente, não tem se mostrado verdadeiramente eficaz, muito pelo contrário. É multiplicadora do problema, principalmente  em uma conjuntura na qual falta treinamento, os salários não são pagos em dia e as condições de trabalho não são dignas.

Nesse caminhar, não podemos acreditar que tal projeto de repressão que causa mortes em todos os lados do campo de batalha haveria de persistir se não houvesse alguém que ganhasse com ele. Portanto, não poderíamos falar que a guerra às drogas é falida.

Mas, o diametralmente oposto, cumprindo com louvor sua missão de exterminar a população jovem, pobre e negra, seja de farda, seja de chinelo, sem nunca levantar uma bandeira que de fato construa caminhos para uma sociedade mais justa, com acesso à educação, saúde e lazer.

Para que o Haiti não seja mais aqui, é extremamente urgente que as soluções apresentadas estabeleçam diálogo entre os diversos setores da sociedade e remontem às origens mais profundas das questões que há tantos anos nos aterrorizam. É preciso abandonar uma política equivocada e buscar novos rumos para a segurança pública. Só assim poderemos sonhar e construir um Rio de paz para todos.

João Tancredo é advogado

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