Cláudio Mafra: espaço físico e Educação

Hoje, torna-se fundamental uma arquitetura que trabalhe em consonância com os recursos tecnológicos injetados na metodologia educacional

Por Cláudio Mafra Membro do Cons. de Arquitetura e Urbanismo do Brasil

Cláudio Mafra
Cláudio Mafra -

Rio - Enquanto o Brasil discute a Educação - a Base Nacional Comum Curricular é um dos exemplos - os números continuam alarmantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Em 2017, a instituição mostrou que 52% dos brasileiros entre 17 e 25 anos deixaram a escola. Anualmente, 25% dos brasileiros (um a cada quatro) desviam seus trajetos e param de estudar. Além disso, o déficit escolar é preocupante: 62% dos alunos não estudam na série correspondente à idade. O relatório 'Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil', de 2015, do IBGE apontou que 40% das crianças brasileiras vivem na pobreza e que a maioria dos municípios do país não possui espaços culturais - o que inibe o interesse do jovem brasileiro estudante. No Sudeste, o número de cidades sem atrativos culturais chega a 54,4%.

Para ilustrar a importância de investimentos substanciais na infraestrutura educacional, podemos citar o "Milagre da Educação", ocorrido em Medellín, na primeira metade da década de 1990 sob o governo de Cesar Gaviria (1990-1994). Foi dado foco na construção de diversos centros de estudo de caráter arquitetônico inovador. Fazer brilhar os olhos das camadas mais humildes da população foi a maneira de ampliar o acesso à educação em contraposição ao império da violência.

Cabe um paralelo entre Medellín e Rio de Janeiro, uma vez que ambas as cidades (apesar da distância no tempo) convivem com a violência há muitos anos, fator preponderante da instabilidade social, aliada ao desemprego. E a violência - fruto de uma série de fatores sociais desordenados e de carências diversas - tem na ausência de um Sistema Educacional eficiente uma de suas raízes. Observa-se que o espaço arquitetônico das escolas - embora fator importante no aspecto de segurança (emocional), de cidadania (social) e de coadjuvante no aprendizado (funcional) - ainda é pouco considerado pelas autoridades educacionais.

Conclui-se, a exemplo de Medellín, que uma estrutura física impactante destinada às camadas mais humildes da sociedade (que majoritariamente, colocam seus filhos nas escolas públicas) faz-se necessária, dentro de uma relação custo-benefício adequada aos recursos do país. Apesar de importante, esse papel da arquitetura, enquanto organizadora do espaço e capaz de oferecer condições dignas de habitabilidade e adequabilidade com as atividades de ensino, é diferente hoje, em comparação com o ambiente de Medellín na década de 90, devido à forte transformação trazida pela Internet. Hoje, torna-se fundamental uma arquitetura que trabalhe em consonância com os recursos tecnológicos injetados na metodologia educacional.

Cláudio Mafra é membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil

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