Parabéns aos eliminados da Copa!

Quem dá tudo de si sempre ganha. Nem sempre essa vitória se dá no placar final, mas ela precisa se fazer presente na sensação do dever cumprido e no reconhecimento do que precisamos melhorar para vencer no placar

Por Júlio Furtado Professor e escritor

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Fomos eliminados pela Bélgica e voltamos para casa. O impacto da decepção é inevitável, assim como o da frustração de descobrir que não somos tão bons quanto imaginávamos.

Decepção e frustração fazem parte das competições, que, aliás, na essência, servem para cada um (no caso da Copa do Mundo, cada time) dar o melhor de si para, em confronto com o melhor do outro, descobrir o quanto se pode ser ainda melhor.

O resultado de uma competição deveria ser revelar as múltiplas possibilidades de desenvolvimento a partir do confronto entre os melhores.

Na essência, uma competição deve servir para mantermos a vontade de ser o melhor de todos, mas, para isso, precisamos ter a humildade de reconhecer a superioridade dos outros e as nossas fragilidades. Talvez essa seja a essência do crescimento e, como tal, não pode estar ausente do processo educacional.

A escola precisa incorporar a essência educativa das competições e parar de ficar tentando imitar a crueldade da vida. Competir na escola deve servir somente para ensinar a reconhecer o melhor dos outros e o falta em mim e não para destacar e enaltecer os vencedores.

As competições escolares devem ser organizadas de forma que sirvam, tão somente para fomentar o autodesenvolvimento contínuo, sempre com a visão da auto superação e da consciência da possibilidade (ou não) de superação dos meus limites.

Presenciei, certa vez, uma linda cena ao final de uma competição numa escolinha de futebol para crianças. Um menino de cerca de oito anos veio ao encontro de seu pai com um ar constrangido após a derrota de seu time. O pai rapidamente pegou-o no colo e encostando sua testa na testa do filho disse: "Você acha que vocês podem jogar melhor do que vocês jogaram?".

O menino, já meio lacrimejante, disse: "Podemos". "O que falta para que vocês joguem melhor?", perguntou o pai. "A gente precisa treinar mais" respondeu o garoto já soluçante.

Num lindo abraço, o pai disse: "Então você não perdeu! Você aprendeu que tem que treinar mais! Vamos comemorar tomando um sorvete. Qual sabor você vai querer?"

Quem dá tudo de si sempre ganha. Nem sempre essa vitória se dá no placar final, mas ela precisa se fazer presente na sensação do dever cumprido e no reconhecimento do que precisamos melhorar para vencer no placar.

Derrota é não dar o melhor que podemos. E parar de lutar e entregar o jogo é não enxergar as nossas falhas.

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Júlio Furtado, colunista do DIA Divulgação

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