Começa a era do futebol europeu

A questão agora é saber como fica o Brasil, quando os europeus têm levas e levas de imigrantes a peneirar, para servir às seleções que agora começam a ganhar copas

Por Roberto Muylaert Jornalista e editor

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Os países com tradição no futebol situados fora do continente europeu e adjacências estão numa situação complicada após a Copa que acabou agora. Começa pelo fato de que os países que a gente considerava "branquelos", sem jogo de cintura, agora estão coalhados de imigrantes. A saber: França, 3;Suíça, 8; Bélgica, 0; Inglaterra, 1; Alemanha 0.

Parece pouco em relação ao panorama visto dos jogos, que incluem os jogadores nascidos nos respectivos países, imigrantes de segunda geração.Se estes forem incluídos, a percentagem de jogadores "de fora", na maioria afrodescendentes, sobe para números bem mais expressivos: França 78,3%; Suíça, 65,2%; Bélgica, 47,8%; Inglaterra, 47,8%; Alemanha 39,1%.

Não esquecer que a maioria das famílias desses imigrantes, ou filhos nascidos na Europa, nunca foram bem tratados pelos países europeus , enquanto colônias. Quase como uma vingança não programada, de uns anos para cá, acabaram por se transformar em pesadelos para os países da Europa, na onda de imigração que cresce sem parar.

Dois exemplos de imigrantes de países que sofreram muito antes de chegar à Europa, onde virariam heróis: Zinedine Zidani, da França, cuja família é proveniente da Argélia, onde os colonizadores franceses usaram requintes de tortura, para evitar a independência do país que acabou por acontecer, em 1962. Da seleção belga, o destaque é Romelu Lukaku, cujos pais são do Congo, país africano conhecido nos tempos coloniais pelo tratamento dado pelos belgas aos nativos, onde as maldades também eram requintadas.

Agora, eles são heróis nacionais, assim como Kylian Mbappé, nascido em Bondy, subúrbio de Paris, para onde as famílias de imigrantes acabam se instalando, quando conseguem sair da rua. É o conhecido Paris banlieue, cujos habitantes, apesar desses heróis recentes, continuam colocados à parte, pelo preconceito advindo da Paris "francesa".

No Brasil, os afrodescendentes também tiveram um papel de extrema importância no desenvolvimento do futebol. E assim como os afro-europeus, não tinham acesso aos clubes de futebol mais conhecidos do país.

Diz a lenda que o time pó-de-arroz do Fluminense ganhou esse apelido pelo hábito de jogar talco em alguns atletas mais morenos, antes de entrar em campo, para que pudessem se insinuar no estádio do elegante clube das Laranjeiras.

A questão agora é saber como fica o Brasil, quando os europeus têm levas e levas de imigrantes a peneirar, para servir às seleções que agora começam a ganhar copas, como aconteceu conosco com o advento de Pelé, Garrincha, Didi, Djalma Santos, etc., a partir de 1958.

Só que agora, nossos craques que também pipocam em grande quantidade são logo vendidos para o exterior, antes dos 17 anos.

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Roberto Muylaert, colunista do DIA Divulgação

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