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Por Vespa Luz

Graças à crise ética, o cidadão brasileiro está enojado da política e descrente das eleições. Em qualquer pesquisa de intenção de voto que se faça, para qualquer cargo, em qualquer praça, os líderes são sempre: Ninguém e Não Sei. Exemplo disso, foi o alto índice de abstenção, votos brancos e nulos nas recentes eleições suplementares. Perde a democracia: os governantes são eleitos pela minoria.

Há quem credite a culpa aos marqueteiros. Ao contrário do senso comum, a informação é o principal alimento da democracia e do combate à corrupção. O papel da comunicação nas campanhas eleitorais, muito mais do que persuadir, é informar. Mostrar aos eleitores cada candidato, sua biografia e propostas. Quem ganha ao reduzir o tempo de campanha, de TV, de rádio, as mídias permitidas e a qualidade da informação que chega ao eleitor? Quem quer manter o status quo.

Outdoors são facilmente vistos e mensurados, mas estão proibidos. A contratação de militantes para bandeirar, difícil de ser contabilizada, está liberada, numa compra de votos compulsória. Isso não combate nem a corrupção, nem o caixa dois.

Reduziu-se o período de campanha: se a duração de 2014 fosse a mesma de 2018, talvez a eleita tivesse sido Marina, com seu arranque inicial, freado pelo melhor conhecimento do eleitor, frente às comparações realizadas.

Reduziu-se o tempo do Horário Eleitoral, mas aumentaram as inserções comerciais. Fazendo as contas, a secundagem produzida será maior do que era antes, na prática encarecendo os orçamentos. Em 2016, o tempo total de TV pulou de 1950 segundos para 2750 segundos. Nem por isso, o cidadão ganhou em qualidade de informação.

Outro problema criado pela minirreforma política, não discutida amplamente e feita por quem tem cargos e quer garantir a manutenção do poder, foi a cláusula de barreira. Está criado um verdadeiro frisson entre os partidos, vale tudo para manter o tempo de TV e o acesso ao fundo partidário.

Também a insegurança jurídica que condena, prende, mas não define em tempo sensato a possibilidade ou não das candidaturas, cria imensa instabilidade. Os partidos demoram a definir as coligações e os candidatos. As informações não chegam ao eleitor, que já está alheio ao processo. Para mudarmos o Brasil, são fundamentais a educação e a informação. Sem elas, estamos condenados a um futuro cada vez mais nebuloso e desigual.

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