Desastrosos ruídos

Por João Baptista Ferreira de Mello

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Nos primeiros séculos de colonização havia um verdadeiro pavor com respeito aos rumores de possíveis invasões e piratas que dominariam esta São Sebastião do Rio de Janeiro. Hoje os ruídos e transtornos são de outros portes e criados por pessoas, veículos e estabelecimentos.

Senão vejamos, ao embarcar no táxi você é obrigado, por vezes, a ouvir músicas detestáveis que vão da "funkaria", pleonástica, mistura de funk com porcaria, ao breganejo ou ao pagode, esta lamentável degenerescência do nosso símbolo cultural, o samba. E, contando ninguém acredita, ainda há aquelas emissoras colonizadas transmitindo dia e noite, sem parar, apenas dissonâncias compostas nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Mas, cá entre nós, não há legislação para tal anomalia, para este zelo excessivo à coisa estrangeira? E há algo pior do que ouvir som que você tem verdadeira ojeriza?

Se você escapar deste quadro no qual não há vida inteligente, em outras oportunidades, será forçado a aturar pregações com as quais não comunga ou, quem sabe, o blá-blá-blá das chamadas mesas esportivas. Minto. Os comentários são tão somente sobre um único e mesmo esporte.

Ao entrar no táxi você pode ser surpreendido com um aparelho de televisão ligado. Ué, mas não deveria ser proibido? Não tira a atenção de quem está ao volante? Os taxistas falam ao celular com certo temor em meio à onipresente ameaça de multas no trânsito. No entanto, não seriam as imagens da televisão muito mais danosas a todos a bordo do veículo?

Outra coisa abominável é você se ver cercado de televisões quando vai almoçar ou jantar em um restaurante qualquer. Elas estão estratégica e lamentavelmente em todos os cantos.

Nos veículos coletivos há indivíduos que, inapropriadamente, se esgoelam em seus celulares. Mais ainda os vizinhos que fazem reverberar o som de seus rádios, ou seja lá que aparelho for, infestando os nossos ouvidos de intoleráveis ruídos. E, neste contexto, esqueça se a ONU proclama ser a poluição sonora a mais prejudicial aos seres humanos.

Resumindo: não adianta se fazer de surdo ou desviar o olhar. Os invasivos, invasores ou como se queira denominar aí estão por toda parte.

João Baptista Ferreira de Mello é coordenador dos Roteiros Geográficos do Rio - UERJ

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