Célio Lupparelli: Educação longe da meta

Que esses números desastrosos do Ideb, divulgados em plena campanha eleitoral, despertem os próximos governantes a pôr em prática medidas viáveis e não vagas

Por O Dia

Célio Luparelli
Célio Luparelli -

Rio - Inaceitável a constatação de que o Estado do Rio de Janeiro não atingiu nenhuma meta em nenhuma etapa da escolarização, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2017. E pior: além de não atingir o nível esperado, o Rio teve queda no Ideb na comparação com 2015.

A situação foi mais crítica no terceiro ano do ensino médio: em 2015, as redes pública e privada do estado registraram Ideb 4. Em 2017, o índice foi de 3,9 quando a meta era chegar a 4,6. Mesmo tendo progredido no quinto ano em relação a 2015 (passou de 5,5 em 2015 para 5,8 em 2017), o Rio de Janeiro foi um dos três estados a não alcançar a meta nessa etapa. Ficou um décimo abaixo dos 5,9 estabelecidos como meta.

Sem querer chover no molhado, como professor ainda me resta ter esperança no futuro da educação, não só do nosso estado, mas do Brasil. E, neste sentido, vamos citar, aqui, algumas causas para o fracasso desses números que, de forma geral, ocorreu em todo o país.

O aluno continua a aprender mal. Os resultados da avaliação mostraram que, no ensino público, a aprendizagem de matemática e português é melhor nos anos iniciais do ensino fundamental, mas vai diminuindo ao longo da vida escolar, ficando mais deficiente no ensino médio.

A falta de investimento vai desde a questão salarial dos profissionais de educação à ausência de projetos que combatam a evasão escolar e melhorem o rendimento dos alunos. Segundo pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o que paga o pior salário aos professores do ensino fundamental ao médio entre 40 países ou sub-regiões integrantes dessa organização.

Nossos educadores precisam de capacitação continuada e as escolas, de programas de ensino adequados às novas tecnologias, à linguagem, ao universo dos jovens e às necessidades do mercado de trabalho.

É preciso despertar o interesse dos alunos no aprendizado e gerar oportunidades, evitando a cooptação para as práticas da ilegalidade. Programas de reforço escolar que invistam na redução da distorção idade/ série são uma necessidade urgente. E é fundamental replicar as práticas bem-sucedidas.

Que esses números desastrosos do Ideb, divulgados em plena campanha eleitoral, despertem os próximos governantes a pôr em prática medidas viáveis e não vagas. Algumas até simples, que só ainda não foram implementadas por pura falta de interesse político ou pela insensibilidade sobre o que é prioridade nas políticas públicas do Brasil.

Célio Lupparelli é Presidente da Comissão da Criança e Adolescente da Câmara de Vereadores

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