Encontro em Solidariedade ao Pastor Kleber Lucas. Aconteceu no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na foto Ivanir do Santos, Babalawo. Foto: Daniel Castelo Branco / Agência O Dia - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Encontro em Solidariedade ao Pastor Kleber Lucas. Aconteceu no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na foto Ivanir do Santos, Babalawo. Foto: Daniel Castelo Branco / Agência O DiaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia
Por Ivanir dos Santos Babalawo

No últimos meses, e principalmente às vésperas das eleições democráticas no Brasil, assistimos pasmos, e muitas vezes sem reação, um muro político conservador sendo erguido em nosso país. Um muro que aos poucos vai invisibilizar os nossos campos de entendimento, percepção e alteridade. Assim, pouco a pouco somos cegados por fake news de fazermos laços de sociabilização até chegarmos ao ponto de não enxergar e assassinar, covardemente, o outro, que é e pensa diferente!

E para não sair fora da velha e tradicional 'História', precisamos entender que esse muro não foi construído do dia para noite; ele foi forjado sob as tramas políticas, sociais e religiosas brasileiras e, hoje, ocupa o lugar de destaque no eixo dos debates sobre democracia e direitos humanos no Brasil.

Pois bem! Não vou aqui fazer nenhuma espécie de revisão histórica de como esse muro foi erguido e nem tão pouco vou vislumbrar uma possibilidade de análises políticas sobre os últimos acontecimentos antes e depois o dia 7 de outubro de 2018 (primeiro turno).

Mas sim, quero fazer uma brevíssima consideração sobre os risco de um fascismo iminente na sociedade brasileira e seus rastros.

E para tal, preciso primeiramente ponderar que racismo e intolerância são 'filhos' do fascismo. Então, se você não consegue coexistir com o outro que é diferente e tem escolhas diferente você é um fascista! Sim, você é um fascista e pode estar cultivando uma falsa sensação de nacionalismo em um país que desde a gênese é plural e diverso.

Ora, precisamos lembrar que se formos realmente embarcar em uma 'onda nacionalista', seremos todos expulsos pelos povos tradicionais indígenas, verdadeiros donos da terra a qual os portugueses chegaram na condição de colonizadores e os negros africanos na condição de escravizados.

Vivemos em um país que por mais de três séculos experimentou a escravidão negra como forma de trabalhos e fez do racismo e da intolerância as suas maiores armas de dominação e colonização, hoje reavivadas sob um dos maiores projetos contra todos os grupos de minorias representativas: negros, mulheres e membros das comunidades LGBT's.

Destarte, o país, que desde a sua gênese é múltiplo e diverso, vem ganhando contornos dados por uma pseudo bandeira religiosa que oculta claros traços de intolerância, racismo, homofobia, misoginia e xenofobia.

Contornos esses que podem paulatinamente ser absorvidos com ainda mais forma em nossa sociedade e provocar ações irreversíveis. Assim, mais do que nunca, é preciso lutar pela manutenção do Estado laico, da Democracia, das liberdades e da pluralidade e frear o crescimento avassalador desse muro.

Ivanir dos Santos é Babalawo

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