Wallace Vieira: Brumadinho e a gestão

O progresso? Ah, é inevitável e certamente necessário. Contudo, fatores ambientais/naturais, humanos e de responsabilidade social precisam ser altamente levados em conta por todos os gestores

Por Wallace Vieira Presidente do Conselho Regional de Administração

opinião 30 janeiro 2019
opinião 30 janeiro 2019 -

Rio - O Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro está profundamente abalado com o ocorrido com a barragem de Minas Gerais que deixou parte de Brumadinho debaixo de lama e rejeitos de mineração, onde foram perdidas centenas de vidas e todo meio ambiente local. Tal qual já ocorreu há três anos, em Mariana.

O que foi aprendido nesse período pela gestão das empresas mineradoras? O que ainda pode acontecer? O que será feito para evitar novos desastres e crimes ambientais dessa monta?

É preciso que todo Conselho Administrativo dessas organizações se movimente e seja extremamente eficaz no combate à crise, mas, e principalmente, no que deve ser feito daqui para frente a fim de respeitar as leis ambientais, o meio em que cada barragem está inserida e, acima de tudo, aqueles que estão trabalhando, já que este, sem dúvidas, foi o maior acidente de trabalho da nossa história.

É evidente que o futuro deverá ser devidamente analisado pelos gestores. No entanto, como profissional de Recursos Humanos que fui durante grande parte da vida, muito me preocupa a forma com que os colaboradores e familiares de mortos e desaparecidos serão tratados. É preciso ter humanidade e capacidade gestora nesse momento já tão difícil.

No que tange ao Rio de Janeiro, também me deixa apreensivo saber da existência de barragens tão ou mais prejudicadas do que a de Brumadinho e que precisam ser extremamente bem vistoriadas e analisadas pelos respectivos órgãos de controle. É imprescindível que esta tragédia seja um marco, um turning point para que a gestão das empresas responsáveis passe a enxergar de forma clara que a segurança e a infraestrutura destas construções devem ser alvo de projetos, programas e de constantes vistorias e manutenções.

O progresso? Ah, é inevitável e certamente necessário. Contudo, fatores ambientais/naturais, humanos e de responsabilidade social precisam ser altamente levados em conta por todos os gestores, de todas as coordenadorias e de todas as empresas que assim trabalham e extraem da natureza o seu potencial.

Fica aqui nosso profundo consternamento pela tragédia e também nossa esperança de que melhores condições e decisões sejam tomadas a partir de agora.

Wallace Vieira é presidente do Conselho Regional de Administração

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