Aristóteles Drummond, colunista do DIADivulgação
Por Aristótelles Drummond Jornalista
Publicado 24/01/2019 03:00

Rio - Já me referi, aqui, que Negrão de Lima - grande político mineiro que foi tudo na República, menos presidente - costumava comentar que o esporte nacional não era o futebol, como se supunha, mas a fofoca, a intriga. E o sábio ex-prefeito do Rio e governador da Guanabara sabia o que estava dizendo. Quando ouvia uma intriga maldosa, normalmente com bases falsas, ele anotava no seu livro negro o autor e não o alvo da intriga. Por isso, nunca demitiu auxiliares vítimas de pressões.

Pude testemunhar uma conversa sua com o ministro da Justiça, em plena vigência do AI-5, em que a autoridade o alertava para a possibilidade de seu secretário de Saúde, o admirável dr. Hildebrando Monteiro Marinho, perder seus direitos políticos por vínculos com o Partido Comunista. Com tranquilidade e cordialidade, o governador disse ao ministro que agradecia a informação, mas que, certamente, não haveria esta injustiça, pois o seu auxiliar havia sido militante 30 anos antes, como estudante, e que era homem dedicado às suas atividades de cientista e secretário. E aduziu que o ministro calcularia que, caso se confirmasse o ato, os serviços não seriam afetados, pois a procura pelos hospitais independia do secretário ser cassado ou não. O dr. Marinho ficou até o fim do governo e o inspirador da intriga, candidato a eventual vaga, foi mantido a distância do Palácio Guanabara.

O fato narrado é para mostrar que não acrescenta nada essa mesquinharia que tem sido frequente contra pessoas próximas ao poder, sem distinção partidária. Uma coisa são fatos concretos, indicações sólidas; outra coisa é o disse me disse da intriga pela intriga. Por isso, a Justiça tinha de ser mais rápida, os códigos mais explícitos no que pode ou não ser feito; a Polícia e o Ministério Público, mais cuidadosos em vazar assuntos que podem atingir a honra de inocentes. O mesmo vale para a Coaf, que deixa vazar maldosamente alguns poucos milhares de reais não explicados quando vivemos, infelizmente, ainda a fase de entregas de dinheiro vivo na casa dos milhões.

Buscar declarações, discursos, entrevistas, textos de livros antigos, procurando criar desconforto a quem está no palco é outra atitude menor a ser combatida. É um crime o uso da intrigalhada - fofoca, como na voz do povo - para se sabotar um programa de recuperação nacional, de retomada do emprego, de diminuição da dívida pública, da melhoria das condições de vida dos menos favorecidos.

Anda prevalecendo o "há governo? Sou contra". Não pode ser assim!

Aristóteles Drummond é jornalista

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