Sílvia Ester Orrú - ARQUIVO PESSOAL
Sílvia Ester OrrúARQUIVO PESSOAL
Por O Dia

Rio - Ontem, 18 de Fevereiro, comemoramos o Dia Internacional da Síndrome de Asperger. Mais que celebrar a relevância de um dia destacado em nosso calendário, a data nos recorda que direitos sociais não são vitalícios, não são entregues na bandeja como presentes ou prendas, muito menos são mantidos como adornos por quem está à margem do viver na pele as diversas consequências dos mecanismos de exclusão existentes na sociedade.

Não faz muito tempo que as pessoas com Síndrome de Asperger, condição agora abrangida pela nomenclatura, Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), passaram a ser mencionadas em razão de seu potencial de aprendizagem, de ser e de estar no mundo.

Faz bem pouco tempo que jornais, novelas, filmes e redes sociais começaram a abordar suas singularidades, suas dificuldades e, principalmente, suas capacidades. E ainda são poucas as publicações de relatos de experiências e convites para que essas próprias pessoas, com suas próprias vozes, enunciem e anunciem o que querem e necessitam dizer à sociedade pelos meios de comunicação.

Contudo, movimentos sociais pró-inclusão, constituídos por familiares de pessoas com Asperger e profissionais da Educação e da Saúde, foram crescendo nos últimos anos, de modo que ontem pudemos nos lembrar que, em 2011, pela primeira vez, foram incluídas as categorias de Autismo infantil, Síndrome de Asperger e Transtorno Desintegrativo da Infância no Censo da Educação Superior. No Censo de 2016, foram 591 estudantes com o diagnóstico de TEA na graduação, destes, 233 com Síndrome de Asperger.

Dificuldades e limitações, quem não as tem? A percepção da diferença deve ser discutida e compreendida como sendo de todos nós. Somos todos diferentes e por isso é que as dificuldades singulares não devem impedir ou dificultar a inclusão socioeducacional.

Porém, a diferença deve ser entendida como valor humano e, consequentemente, gerar metodologias inovadoras, recursos assistivos, professores capacitados, profissionais da saúde competentes, uma comunidade acolhedora para que todas as crianças, adolescentes, jovens e adultos com Síndrome de Asperger alcancem níveis elevados de ensino e tenham espaço pleno na sociedade.

Por isso celebramos não apenas as conquistas das pessoas com Síndrome de Asperger, mas também a necessidade de permanecermos em vigília e em movimento na construção de uma sociedade mais justa no que temos de comum: todos somos “igualmente diferentes”!

Sílvia Ester Orrú é autora do livro 'Para além da Educação especial'

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