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Alana Passos: De quem é a culpa de tanta tragédia

Descaso, negligência e inconsequência afetam a população

Por O Dia

Tragédias têm marcado o Estado do Rio de Janeiro ao longo dos anos, quase sempre movidas pelo descaso, negligência e inconsequência daqueles que deveriam zelar pela segurança da população fluminense.
Todos ficamos sensibilizados e extremamente chocados com a tragédia ocorrida no Ninho de Urubu, onde um incêndio matou dez jovens jogadores das categorias de base do Flamengo, e deixou três gravemente feridos. Dois ainda se encontram hospitalizados.
Trata-se da maior tragédia já vivida pelo futebol carioca, e exatamente com um dos clubes de maior orçamento no futebol nacional e o principal do estado. De quem é a culpa? A pergunta não quer calar!
Sabemos que todo clube necessita de alvará de funcionamento emitido pela Prefeitura e, para essa liberação, a agremiação necessita em primeiro lugar do laudo de exigências. Só com o cumprimento desses recebe o certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros para funcionamento.
A instituição Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro presta um excelente serviço à população, com profissionais qualificados e reconhecimento em todos os setores da sociedade. No entanto, sabemos que, em setembro de 2017, em operação do Ministério Público e da Secretaria de Segurança, mais de 30 bombeiros foram presos por esquema de venda de alvarás.
Tanto o setor de engenharia dos bombeiros quanto o de licenciamento da Prefeitura são alvos de inúmeras denúncias de omissão e corrupção, fatos que não chegam a ser novidade em nosso cotidiano. Ora, efetivamente, o que é feito de concreto?
A culpa é desse sistema corrompido e burocrático do setor de engenharia dos bombeiros que comprovadamente negociou certificados de aprovação e, quando se faz necessário fiscalizar para prevenir as tragédias, faz “vistas grossas”, e nada consta nos autos. A culpa também é do setor de Licenciamento, Fiscalização e Controle Urbano da Prefeitura, órgão responsável pela liberação do alvará, que também não fiscalizou o clube.
Também possuem culpa, e deverão ser fiscalizados com o rigor da lei, não o Clube de Regatas do Flamengo, mas os gestores responsáveis por fazer funcionar nas dependências do Ninho do Urubu os alojamentos sem a devida autorização do poder legalmente constituído. Ou seja, a culpa – melhor dizendo, a responsabilidade - é de todos: dos gestores do clube, do setor de engenharia dos bombeiros, do setor de Licenciamento e Alvará da Prefeitura do Rio e será nossa se não fizermos nada para mudar essa situação.
Agora, o que nos resta fazer é pedir desculpas às mães que estão chorando seus filhos mortos pela tragédia no Ninho do Urubu e pedir a Deus que console e fortaleça todas as famílias neste momento de dor e sofrimento.
Infelizmente não aprendemos com os fracassos do passado e com as perdas do presente. Para nossa desgraça, essa tem sido a tônica de todo fato negativo acontecido na vida pública brasileira, é a farra da mea-culpa...dos outros!

 

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