Ana Lúcia Santoro - Divulgação
Ana Lúcia SantoroDivulgação
Por O Dia
Rio - É inegável a importância do plástico, material leve, higiênico e resistente, que pode ser modulado de diversas formas e utilizado em aplicações variadas. Está presente no cotidiano e em soluções tecnológicas: de próteses a aeronaves.

Por outro lado, um item plástico usado por poucos minutos ou segundos, descartado incorretamente, gera enorme impacto ambiental no coletivo. O resíduo pode levar até 500 anos para se decompor. Segundo a ONU, quase metade de todo o lixo plástico gerado no planeta advém de embalagens, na maioria das vezes, de uso único. A Comissão Europeia estima que, se nada for feito, até 2050, nos oceanos poderá haver mais plástico do que peixes (por peso).

No estado do Rio de Janeiro nos deparamos com um cenário na contramão da sustentabilidade. Dos 92 municípios, 58 não possuem coleta seletiva, e apenas sete possuem abrangência de 80% em seu território. Estima-se que somente 1,3% do resíduo sólido urbano é recuperado. Desse total, apenas 0,7% corresponde à fração plástica. Essa conta é injusta com a natureza e o ambiente.

Nesse sentido, é fundamental que empresas inovem e implementem mudanças nos modelos de negócio. Em paralelo, os governos devem estabelecer diretrizes objetivas para a redução da geração de resíduos e ampliação dos serviços de reciclagem. Uma das ferramentas utilizadas pelo poder público é incentivar os municípios a adotarem o ICMS Ecológico e a aplicarem os recursos nas ações de coleta seletiva. Isso implicaria na redução de 3,6 mil toneladas diárias de plástico em aterros no estado.

A mudança de hábitos dos consumidores também é indispensável para impulsionar empresas e governo na tomada de decisões. Adotar o uso de sacolas e copos plásticos duráveis, optar por produtos com embalagens menos poluidoras, separar e destinar o resíduo reciclável são exemplos de atitudes sustentáveis.

O debate é mundial e por toda parte há movimentos em prol de conscientização e transformação, desde banimento de sacolas plásticas e itens descartáveis até a busca por iniciativas que pensem o produto desde o design. O conceito de economia circular, por exemplo, defende que o produto não deve ser considerado resíduo ao final do seu ciclo de vida, e sim insumo para a própria ou outras cadeias produtivas.

Na intenção de estimular e promover políticas públicas sobre os resíduos, a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade elegeu o tema como pauta prioritária para 2019. Uma das frentes de ação é a inauguração, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6), do Espaço Convivência Sustentável (ECoS), na Lagoa Rodrigo de Freitas.

No intuito de conscientizar e engajar a sociedade, o local promoverá reflexões na busca do desenvolvimento sustentável, como a mostra “Do Lixo ao Recurso”, além de oficinas e palestras gratuitas. O espaço contará ainda com ponto de entrega voluntária de resíduos a serem encaminhados para reciclagem, placas fotovoltaicas para geração de energia limpa, e jardim comestível. Todos exemplos de soluções sustentáveis.

Para impulsionar mudanças, sair da zona de conforto é imprescindível. O desafio relacionado ao resíduo é enorme. Superá-lo é possível. Depende do envolvimento de todos. É hora de agir!
Ana Lúcia Santoro é secretária de Estado do Ambiente e Sustentabilidade