Julio Bueno: Caminhos para o Estado do Rio de Janeiro

Tanto o Estado como a capital foram impactados, de forma inesperada e brutal, por uma impensável redução de recursos públicos

Por O Dia

De acordo com Julio Bueno, com entrada de outras operadoras, haverá geração de empregos no estado
De acordo com Julio Bueno, com entrada de outras operadoras, haverá geração de empregos no estado -
Rio - Estamos vivendo, possivelmente, a maior crise econômica que o país já passou desde a Proclamação da República. Os números são apavorantes. Mais de 13 milhões de desempregados e 28 milhões de subempregados. Perderam-se cerca de 10% do PIB per capita do país e já há a discussão se estamos céleres no caminho da depressão econômica. A recuperação, que parecia estar acontecendo, vem sendo desmentida por números quase diários.

E o Estado do RJ, por conta de fatores estruturais e conjunturais, é um dos epicentros da crise. Aqui há mais de 1.3 milhão de desempregados. Os serviços públicos estão cada vez mais precários. Diariamente a imprensa mostra postos de saúde que não funcionam, falta de leitos em UTIs, escolas caindo aos pedaços, ruas esburacadas, túneis que desabam, etc.

Os que habitam a cidade do Rio de Janeiro se deparam a cada esquina com lojas fechadas. A tradicional Rua da Carioca é um dos principais símbolos da degradação da economia. Quem por lá anda, e ama esta cidade, sai com dor no coração. O outrora vigoroso comércio deu lugar a uma rua quase que fantasma.

É evidente que a crise do Rio decorre da crise do país. Tanto o Estado como a capital foram impactados, de forma inesperada e brutal, por uma impensável redução de recursos públicos. Mesmo levando em conta os problemas éticos ocorridos e a usual má gestão da área pública, seria praticamente impossível para qualquer gestor sustentar serviços públicos de qualidade com a queda de arrecadação que ocorreu. No caso do Estado do RJ, a preços de 2018, a arrecadação tributária foi reduzida de R$ 49,3 bilhões para R$ 33,9 bilhões! Uma perda de cerca de R$ 15 bilhões a preços de 2018, representando 31% de redução. E perderam-se 600.000 empregos formais, segundo o RAIS/CAGED, representando cerca de 25% do estoque.

Na capital verifica-se tsunami semelhante. A receita de ISS reduziu-se de R$ 6,8 bilhões, em 2014, para R$ 5,4 bilhões em 2017. Uma perda de 21%. Perderam-se 350.000 empregos formais, representando cerca de 14% do estoque.

Apesar da redução brutal da receita, os custos são praticamente incompressíveis, em particular o de pessoal ativo e o de aposentados, tornando o quadro mais crítico ainda.

Não somos uma ilha. Fazemos parte do Brasil e dependemos do dinamismo econômico do país. Mas, não adianta apenas lamentarmos. O que se pode fazer no contexto do próprio Estado para ajudar a sair da crise é o grande desafio que se pretende abordar nas colunas vindouras. 
Julio Bueno é engenheiro de produção e ex-secretário de Estado de Fazenda

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