João Marcello Barreto - Arquivo Pessoal
João Marcello BarretoArquivo Pessoal
Por O Dia
Rio - No Rio de Janeiro, cidade com vocação boêmia, a música está presente em todos os lugares, seja nos bares, casas de show ou até nas praças. E nos quiosques não poderia ser diferente. Há dois anos, as apresentações musicais foram autorizadas nas unidades. A Lei Complementar nº 172, publicada no dia 29 de junho de 2017, representa uma vitória, porque a música, além de ser um patrimônio cultural que beneficia o turismo e a cidade como um todo, representa uma ferramenta poderosa para atrair o público.

Os quiosques, apesar de estarem localizados num dos pontos mais visitados da cidade, são fortemente afetados pela sazonalidade. Portanto, essa forma de entretenimento, em especial na baixa temporada, é muito importante para aumentar o movimento nas unidades e ajudar os operadores a arcarem com os custos fixos. Afinal, assim como os outros estabelecimentos comerciais, eles também pagam taxas e impostos. Vale destacar ainda que cada quiosque gera de 15 a 20 empregos diretos. O bom funcionamento é sinônimo de geração de emprego numa cidade que hoje sofre muito com a falta de vagas formais.

A atividade também era um pedido dos clientes, como mostrou a pesquisa que encomendamos ao Ibope em 2013. O resultado, como já esperávamos, revelou que 95% dos que participaram do questionário aprovavam a música ao vivo nos quiosques. Outro fator que pesa a favor das apresentações é que os quiosques representam mais de 300 palcos, possibilitando que artistas independentes mostrem seu talento e ainda garantam uma renda.

Seja pelo viés econômico, pela cultura ou pelo lazer, acho que não faltam motivos para acreditarmos que a música só chega para agregar, ainda mais na praia, que é o lugar mais democrático de uma cidade. Desejamos que a música esteja cada dia mais presente em todos os cantos. Mas, claro, é preciso que seja de forma ordenada, para que ela não seja vista como um problema devido à falta de conscientização. Neste ponto, temos que destacar que o projeto de lei foi muito importante para estabelecer regras, como o limite de horário e decibéis para as apresentações, posição da caixa de som e número de instrumentos permitidos, por exemplo.

Como concessionária administradora dos quiosques, realizamos um trabalho periódico de fiscalização, para que se cumpra as normas impostas, coibindo os excessos e garantindo o bem-estar comum. Torcemos muito para que esse ordenamento se estenda não só por toda orla, onde sofremos com o desrespeito de ambulantes que ligam aparelhos de som em seus pontos de venda, mas por toda a cidade, para que a música nunca mais seja vista como vilã.

Seja Copacabana, Ipanema ou Barra, quando o artista toca o violão e solta a voz, ganha quem ouve, ganha quem canta e a melodia que ecoa é a alegria que embala as famosas noites cariocas.
João Marcello Barreto é CEO da Orla Rio Concessionária