Léo Vieira: Que fique claro: não estamos de férias

Não é possível, diante de tudo o que vem sendo falado, observar ainda locais com aglomeração de pessoas, receita perfeita para a disseminação rápida do vírus

Por Léo Vieira*

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opina 27mar -
Como deputado estadual, como presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Baixada Fluminense na Alerj, mas acima de tudo, como cidadão e morador da cidade de São João de Meriti, me causa apreensão pensar nos estragos que o coronavírus pode vir a fazer quando atingir em cheio a região. A realidade da Baixada é diferente de outras localidades, como por exemplo, Zona Sul e Barra da Tijuca. Em nossa região, muitas pessoas moram sobre o mesmo teto, poucos têm condições de comprar álcool em gel e o abastecimento de água não é constante. Nesta semana, Duque de Caxias foi a cidade da Baixada com o primeiro caso confirmado da Covid-19. Trata-se de uma mulher jovem, de 23 anos, profissional de saúde e que trabalha em hospital privado do município do Rio de Janeiro. Outros casos virão. É preciso deixar a política de lado e pensar, única e exclusivamente, em salvar vidas.

De antemão, faço um elogio ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por ter se antecipado e ter encarado de frente essa pandemia, criando condições para o atendimento dos doentes e sendo firme nas medidas que obrigam o isolamento da maior parte da população, fundamentais para que o vírus se espalhe menos.

Minha maior preocupação é com a Baixada. Em São João de Meriti, onde mais de 30 possíveis casos de coronavírus estão sendo analisados, as ruas estão mais vazias do que o habitual, mas não o suficiente. Na segunda-feira (23), a prefeitura decretou o fechamento do comércio por 15 dias. É necessário, no entanto, que agentes da Guarda Municipal, com apoio da Polícia Militar, percorram a cidade para coibir quem estiver descumprindo o decreto.

As secretarias de segurança pública dos municípios da Baixada precisam continuar incessantemente cobrando a reclusão como forma de prevenção. Não é possível, diante de tudo o que vem sendo falado, observar ainda locais com aglomeração de pessoas, receita perfeita para a disseminação rápida do vírus.

Do mesmo jeito que a população precisa ser cobrada a fazer sua parte, também precisa ser assistida. Tenho conversado bastante com o presidente da Cedae, Renato Espírito Santo, sobre as soluções que devemos dar para melhorar o abastecimento de água na Baixada Fluminense. Sem água, fica impossível fazer a higiene recomendada. Renato tem sido solícito, e deixo aqui meu agradecimento a ele.

Reduzir o número de pessoas nos transportes públicos também é medida importante para conter o novo coronavírus. As restrições impostas estão no caminho certo. Mas precisam ser mais bem calibradas, evitando que filas quilométricas se formem em estações de ônibus e trens. É um contrassenso quando o que se deseja é justamente evitar aglomerações.

Que fique claro: não estamos de férias. Passamos por um momento de crise. Uma crise séria. Há quem não tenha se dado conta. À Baixada, deixo meu alerta e a certeza de que vou trabalhar diuturnamente para minimizar o impacto do coronavírus na região. Com a colaboração de todos, unidos em único objetivo, vamos vencer.

*Léo Vieira é deputado estadual
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