Telma Abreu: Afinal qual é o melhor cenário para a retomada das aulas presenciais?

Repensar a estrutura de aprendizado, definir e ampliar os espaços, seguir os protocolos de segurança e manter um canal de comunicação eficiente entre pais e responsáveis, serão algumas das práticas que deverão definir a nova realidade escolar

Por Telma Abreu*

Telma Abreu
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O setor educacional vive um momento extremamente desafiador. Numa primeira fase, o ensino remoto foi um modelo improvisado que, apesar dos esforços, resultou numa baixa produtividade por parte dos estudantes e muitas escolas públicas não conseguiram se estruturar para manter suas aulas remotas.

E agora, com autorização para o retorno às aulas presenciais, estamos diante de outro grande dilema que com certeza aumenta a preocupação de todos os envolvidos, pais, professores, donos das escolas, equipe de apoio e alunos. Um esforço que exigirá empenho e paciência, pois haverá lentidão no processo de aprendizado. Ainda existe muito insegurança, principalmente pela falta de consenso entre as autoridades sanitárias, sindicato dos profissionais de ensino e governo.

É muito difícil avaliar com precisão essa retomada, pois existem diferenças entre escolas e questões que vão desde a infraestrutura até a necessidade de identificação de alunos, professores e funcionários de apoio que fazem parte do grupo de risco. Repensar a estrutura de aprendizado, definir e ampliar os espaços, seguir os protocolos de segurança e manter um canal de comunicação eficiente entre pais e responsáveis, serão algumas das práticas que deverão definir a nova realidade escolar.

Sabemos que o estudo remoto não substitui o presencial. Pesquisas mostram que um longo período de inatividade escolar retrocede a aprendizagem dos estudantes. Isso é observado inclusive durante as férias escolares. Outro desafio é o risco de evasão.

Esse retorno vai exigir que as instituições de ensino abram espaço para um período de acolhimento emocional aos alunos. Não podemos esquecer que cada um vai trazer a sua história pessoal durante esse período e muitas famílias sofreram abalos diferenciados, independentemente do nível social de cada uma, e quanto ao professor, deverá ter um planejamento não só para toda a turma, como também para cada aluno, pois será necessário avaliar o quanto de aprendizagem ficou atrasada nesse período.

Aos pais, escolher uma fonte segura e confiável de informação, tirar dúvidas e acompanhar as etapas e o quadro geral que irá se formar pode diminuir a intranquilidade. Nesse tsunami de informações é importante gerar segurança para não se perder na quantidade e qualidade da informação.

Será um processo novo, sem receita pronta, de muito aprendizado que exige um esforço maior de cada lado para que essa transição possa se dar de forma suave dentro das possibilidades de cada um e por um objetivo muito nobre que é a continuidade do ensino, a educação e o investimento no futuro.

Os novos processos, protocolos e treinamentos deverão incluir o ensino híbrido que fixa parte do tempo presencial, valorizando mais os projetos e socialização e parte do tempo com aulas remotas e mais planejadas. Uma coisa é certa: todos voltam diferentes e na tentativa de se tornarem melhores. A saudade faz isso.

*Telma Abreu é especialista em gestão de carreira e educação e CEO do Método Pertenser

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