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Gabriel Chalita: Encontrei o meu lugar

E por que conto tudo isso hoje? Porque dia 15 foi dia dos professores. E, quando entrei na sala, ouvi canções que mais uma vez me convenceram de que eu estava no lugar certo

Gabriel Chalita, colunista do DIA - Divulgação
Gabriel Chalita, colunista do DIADivulgação
Por Gabriel Chalita*
Foi uma formatura simples. O dia estava atrasado, sei disso. Ou eu estava.

Demorei a me desvencilhar dos medos e a decidir colorir o mundo do meu jeito.

Morreram muitos em minha casa, inclusive meu marido que permiti desde sempre me reduzir. Eu era a sem adjetivos. Nos seus dizeres, foi um erro o nosso casamento. Da cozinha, enquanto limpava o antes e o depois, ouvia seu riso tosco nos entreatos de um teatro que não me divertia. Dizia-me feia. Falava de minha ausência de atitudes. Ridicularizava a casa de onde vim. Mal conheceu meu pai e se punha a detalhar suas ignorâncias.

Por que eu permiti? Quem sabe?! Fui esperando algum acontecido que mudasse o curso dos dias. E aconteceu.

Não que eu desejasse sua morte. Chorei doído no dia do sepultamento. Não o queria morto. Queria que morresse nele as inseguranças tantas que o faziam tão necessitado de se mostrar importante.

Embora ele dissesse, não acreditava nas suas aventuras com outras mulheres. E confesso, também, que pouco entusiasmo tinha eu para o amor. Preferia limpar a casa ou cuidar da horta. Dormia antes para não alimentar qualquer possibilidade. Pobre homem que sabe nada do aquecimento de uma mulher. Não é no automático das modernidades, é no vagar dos estímulos que antecedem ao estar. Nos desaforos, eu me alforriava e fazia nada.

Resolvi estudar. Sem filhos, sem marido e sem pais. Morreram eles e morreu em mim a letargia. Fui cuidadosa, com medos aos montes. De não aprender, de não ser compreendida, de não dar certo. As aulas foram preenchendo lacunas deixadas há tanto. E fui escrevendo como nunca. E saboreando a novidade como quem sai de uma toca pela primeira vez e respira vida.

Decidida, enfrentei a falta de hábito e li o que n&atil

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Pedro Valentim

pedro.valentim@odia.com.br
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Gabriel Chalita: Encontrei o meu lugar
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Gabriel Chalita: Encontrei o meu lugar

E por que conto tudo isso hoje? Porque dia 15 foi dia dos professores. E, quando entrei na sala, ouvi canções que mais uma vez me convenceram de que eu estava no lugar certo

Gabriel Chalita, colunista do DIA - Divulgação
Gabriel Chalita, colunista do DIADivulgação
Por Gabriel Chalita*
Foi uma formatura simples. O dia estava atrasado, sei disso. Ou eu estava.

Demorei a me desvencilhar dos medos e a decidir colorir o mundo do meu jeito.

Morreram muitos em minha casa, inclusive meu marido que permiti desde sempre me reduzir. Eu era a sem adjetivos. Nos seus dizeres, foi um erro o nosso casamento. Da cozinha, enquanto limpava o antes e o depois, ouvia seu riso tosco nos entreatos de um teatro que não me divertia. Dizia-me feia. Falava de minha ausência de atitudes. Ridicularizava a casa de onde vim. Mal conheceu meu pai e se punha a detalhar suas ignorâncias.

Por que eu permiti? Quem sabe?! Fui esperando algum acontecido que mudasse o curso dos dias. E aconteceu.

Não que eu desejasse sua morte. Chorei doído no dia do sepultamento. Não o queria morto. Queria que morresse nele as inseguranças tantas que o faziam tão necessitado de se mostrar importante.

Embora ele dissesse, não acreditava nas suas aventuras com outras mulheres. E confesso, também, que pouco entusiasmo tinha eu para o amor. Preferia limpar a casa ou cuidar da horta. Dormia antes para não alimentar qualquer possibilidade. Pobre homem que sabe nada do aquecimento de uma mulher. Não é no automático das modernidades, é no vagar dos estímulos que antecedem ao estar. Nos desaforos, eu me alforriava e fazia nada.

Resolvi estudar. Sem filhos, sem marido e sem pais. Morreram eles e morreu em mim a letargia. Fui cuidadosa, com medos aos montes. De não aprender, de não ser compreendida, de não dar certo. As aulas foram preenchendo lacunas deixadas há tanto. E fui escrevendo como nunca. E saboreando a novidade como quem sai de uma toca pela primeira vez e respira vida.

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