Foram 308 vítimas em 2019 - Reprodução
Foram 308 vítimas em 2019Reprodução
Por O Dia
Petrópolis - Branca, entre 30 e 59 anos, solteira, agredida pelo companheiro, ou ex, dentro de casa. O Dossiê Mulher 2020, divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, indica que esse é o perfil de mulheres que foram vítimas de violência em Petrópolis. O levantamento leva em consideração os dados de registros realizados pela Polícia Civil no ano passado. O documento mostra que houve um aumento de casos de violência no município em relação a 2018: foram 3003 registros, um aumento de 11,8%.
O maior número de registros foi de ameaça (996 casos), lesão corporal dolosa (932) e injúria (671). Também houve 111 registros de estupro, um caso de feminicídio e 16 tentativas de feminicídio, quando o homicídio é motivado pelo único fato da vítima ser mulher. De acordo com o Dossiê Mulher, 33,4% dos casos registrados são de violência psicológica; 31,8% de violência física; 25,5% de violência moral; 5,5% de violência sexual; e 3,8% de violência patrimonial.

Esse aumento do número de registros nas delegacias é similar ao constatado no Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram). Em 2019, foram realizados 711 atendimentos, 10,2% mais do que um ano antes. O órgão, que é subordinado ao Gabinete da Cidadania, oferece orientação jurídica, acompanhamento social e psicológico e trabalha em parceria com as delegacias de Petrópolis para atender à mulher em situação de violência, seja de que tipo for. Os dados do Cram mostram dois movimentos que evidenciam a coragem das vítimas e a confiança na rede de apoio, que incentiva a busca pela ajuda.
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Em 2018, houve um aumento (em relação a 2017) de atendimentos de "retorno", quando as mulheres continuam procurando a assistência depois do primeiro atendimento: 343 contra 214, crescimento de 60,2%. Já em 2019 (na comparação com um ano antes), mais vítimas procuraram o Cram logo após terem sofrido a violência (o chamado atendimento "inicial): 358 contra 295, 21,3% a mais.
Neste ano, por causa da pandemia, o atendimento presencial teve que ser interrompido entre março e junho. Neste período, o atendimento ocorreu por telefone. Somando o atendimento presencial e por telefone, foram 207 atendimentos no primeiro semestre.

Hoje, as mulheres de Petrópolis contam com uma rede de assistência robusta. A cidade tem um Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam) na 105ª DP (Retiro), a Sala Lilás, a Sala Violeta, a Patrulha Maria da Penha implementada pela PM, e o projeto Minha Aurora (que busca reunir a rede de saúde e assistência social para atendimento imediato da vítima de abuso sexual, além de um trabalho educativo sobre violência sexual junto aos estudantes do município).