Rubens Bomtempo, candidato eleito no segundo turno das eleições municipais em Petrópolis - Reprodução
Rubens Bomtempo, candidato eleito no segundo turno das eleições municipais em PetrópolisReprodução
Por Marco Antonio Pereira
Petrópolis - O candidato a prefeito pelo PSB, Rubens Bomtempo, foi o mais votado do segundo turno das eleições municipais de Petrópolis, com 55,18% dos votos, mas que estão "anulados sub judice", devido ao indeferimento de sua candidatura pela Justiça Eleitoral. Ele disputou o eleição com o atual prefeito e candidato à reeleição, Bernardo Rossi (PL)
Ele recorreu da decisão emitida pela esfera estadual (TRE) e agora aguarda o julgamento de sua candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ainda não há uma data para o órgão emitir sua decisão.
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Confiante de que vai conseguir reverter a situação, Bomtempo se manifestou logo após sua vitória: “O povo é soberano e a vontade popular foi manifestada nas urnas. Foi uma festa democrática que me emocionou. Foi como se eu estivesse disputando minha primeira eleição”, declarou.
Em entrevista a O Dia, Bomtempo falou um pouco sobre o que vai fazer caso consiga julgamento positivo do TSE e assuma o governo da cidade no dia 1º de janeiro de 2021:
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1 - Quais serão suas primeiras ações quando assumir novamente a Prefeitura de Petrópolis? Que medidas de modo geral pretende tomar?

No dia 1º de janeiro, logo depois de tomar posse, vou iniciar a retomada da saúde direto do Hospital Alcides Carneiro, nossa principal unidade, a partir de onde vamos reestruturar toda a rede de saúde. No início da gestão, também será importante avaliar a situação financeira e administrativa da Prefeitura, quais as dívidas de curto prazo, para manter os serviços públicos. No início do governo, vamos implantar programas de microcrédito e de estímulo à participação dos jovens no mercado de trabalho, para fazer a roda da economia girar rapidamente.

2 - Na sua opinião, o que levou os petropolitanos a escolherem sua candidatura tanto no primeiro, quanto no segundo turno?

Petrópolis me conhece e sabe do nosso compromisso com a saúde pública, com a geração de emprego e com quem mais precisa do serviço público. Foi assim que governamos em todas as gestões, com muito diálogo e participação popular. Durante a campanha eleitoral, o povo expressou o desejo de mudar, mas não de qualquer jeito – uma mudança segura, com quem tem serviços prestados à cidade. Por isso, os petropolitanos não acreditaram no festival de baixarias e mentiras apresentado pelo nosso adversário.

3 - Petrópolis, como todo o estado e o país, tem assistido nos últimos dias um aumento dos casos de internações e mortes por COVId-19. Quais serão suas primeiras ações para conter a segunda onda da doença na cidade?

Eu sou médico e estruturei o combate à pandemia no Hospital Unimed, do qual fui diretor até o início de outubro. A primeira medida é criar uma ampla consciência em toda a sociedade. Vamos sensibilizar sobre a necessidade de se cumprir os protocolos – o uso correto da máscara e a necessidade frequente de lavar as mãos, o uso do álcool em gel, entre outras medidas. Além disso, investiremos na atenção primária, por meio dos postos de Saúde da Família, que serão fundamentais no enfrentamento da doença, além de priorizarmos a vacinação em massa da população, de forma organizada e hierarquizada, levando-se em conta os grupos de risco.

4 - Um lockdown pode ser uma solução temporária para diminuir o contágio? Se fosse o caso, adotaria a medida?

É preciso conciliar as medidas de proteção à saúde com a recuperação da economia, que certamente não irá aguentar outro baque, como na primeira onda. No mundo inteiro, novas soluções estão sendo pensadas para garantir a proteção à saúde sem fechar todas as lojas. É preciso muito diálogo para atualizar os protocolos sanitários e garantir a segurança das pessoas, evitando aglomerações nas ruas.

5 - Como pretende dinamizar a economia local nesse ambiente de restrições imposto pela pandemia do novo coronavírus em uma cidade em que o turismo é um dos seus principais motores?

Esta foi a principal preocupação da nossa campanha. A nossa proposta é fazer a roda da economia girar rapidamente com o Auxílio Popular, que irá conceder empréstimos de R$ 500 a R$ 5 mil a pequenos empreendedores e trabalhadores informais, com carência de quatro meses e 24 prestações. E para quem pagar em dia, o município complementará com a última parcela. Também vamos criar o Embarque Profissional, que vai capacitar os jovens estudantes da rede pública e abrir a oportunidade para o primeiro emprego. Eles vão ter um incentivo a mais para estudar e se profissionalizar, com uma bolsa para estágio em empresas ligadas às vocações da cidade, como movelaria, indústria têxtil e serviços, entre outras. Também faremos o Embarque Digital, com a mesma premissa, mas ligado às empresas de base tecnológica.

6 - Ainda preocupa o julgamento no TSE de seu recurso contra o indeferimento de sua candidatura? Qual a expectativa para a decisão?

Estamos tomando todas as medidas necessárias, em todas as instâncias judiciais cabíveis, para que a vontade do povo de Petrópolis, manifestada por duas vezes, em ampla maioria de votos recebida pela chapa Rubens Bomtempo/Paulo Mustrangi, nos dois turnos da eleição deste ano, seja acatada e reconhecida como soberana para o exercício do governo de nossa cidade.