Rio lança projeto para acolhimento de casos de microcefalia ligados ao zika

Iniciativa pioneira estabelece fluxo de atendimento de pacientes em unidade de referência em neurocirurgia no país

Por tiago.frederico

Rio - O primeiro projeto brasileiro destinado ao acolhimento de crianças com microcefalia expostas ao zika vírus e a gestantes com diagnóstico positivo para a doença e ultrassonografia que indique possibilidade da malformação no feto foi lançado nesta segunda-feira. Elaborada pela equipe médica do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC) e pela área técnica da Secretaria de Estado de Saúde, a iniciativa visa o acolhimento das famílias impactadas e conta com a realização de consultas multidisciplinares e exames de alta complexidade, além da avaliação e indicação de tratamento pela equipe da unidade, uma das principais em neurocirurgia no país. O início do atendimento é imediato para pacientes de todo o estado.

"O acolhimento das famílias neste momento é fundamental. O atendimento no IEC vai garantir o acesso aos mais completos exames para investigar e diagnosticar as particularidades das condições clínicas dos casos. Com os resultados, será possível indicar o tratamento mais adequado para cada paciente, observando suas necessidades específicas", explicou Luiz Antônio Teixeira Jr., secretário estadual de Saúde.

A previsão é que 50 pacientes sejam atendidos por mês, totalizando cerca de 500 atendimentos, entre consultas e exames, que envolverão os pacientes e suas famílias, a serem realizadas por equipes multidisciplinares, compostas por pediatras, neuropediatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicoterapeutas, entre outros. O projeto prevê ainda que as gestantes com diagnóstico confirmado para a doença e ultrassonografia que indique a possibilidade da malformação neurológica no feto sejam encaminhadas para exames de ressonância magnética no IEC.

"O Instituto tem a expertise necessária para avaliar e indicar as melhores possibilidades de tratamento para estes pacientes", afirmou o Paulo Niemeyer, neurocirurgião e diretor do IEC. Segundo ele, a unidade terá ainda papel importante na coleta de informações para a realização de estudos sobre o assunto.

Acolhimento imediato

O acolhimento dos pacientes e suas famílias é realizado com base em informações da subsecretaria de Vigilância em Saúde, que começou a monitorar casos de microcefalia sob suspeita de ligação com o vírus zika em junho do último ano, assim como as notificações de gestantes com exantema (manchas vermelhas na pele). O encaminhamento para o IEC é feito por meio de regulação interna da Secretaria de Saúde. O mapeamento serve ainda para que a SES possa manter o acompanhamento de cada um.

Casos de microcefalia com suspeita de exposição ao zika vírus

Todos os casos de crianças com diagnóstico de microcefalia com suspeita de ligação com o vírus zika terão atendimento agendado no IEC. No primeiro momento, os pacientes serão atendidos por equipes multidisciplinares e contarão com avaliação pediátrica e neuropediátrica, fonoaudiologia e fisioterapia, além de atendimento psicoterapêutico, entre outros. Em seguida, serão agendados exames complementares que serão realizados na unidade, em uma segunda data. Com os resultados, os pacientes serão avaliados e terão o tratamento orientado para que possam ser direcionados para unidades de tratamento e reabilitação. Os casos continuarão sendo acompanhados pela secretaria.

Casos de gestantes com suspeita de zika vírus e alterações em exames de ultrassom

As mulheres grávidas que tenham exames positivos para o vírus zika e que apresentem alterações em exames de ultrassom indicando a possibilidade de microcefalia nos fetos terão agendamento para a realização de ressonância magnética a partir do 2º trimestre. Com a precisão deste tipo de exame, o resultado poderá colaborar para o acompanhamento pré-natal das gestantes em suas unidades de origem. As pacientes também serão encaminhadas para a realização de ultrassonografias no Rio Imagem. Todas continuarão a ser acompanhadas pela SES.

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