Por tiago.frederico

Rio - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público, denunciou à Justiça nesta quinta-feira Orson Welles da Cruz pelo crime de tráfico de influência. O acusado já está preso preventivamente no presídio Patrícia Acioli, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, desde dezembro do ano passado, quando foi detido e denunciado por organização criminosa, na 1ª fase da Operação Carcinoma. Na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de prisão, dos quais 11 contra oficiais da Polícia Militar e um contra uma funcionária administrativa.

Esta denúncia contra Orson foi recebida pelo juiz da 26ª Vara Criminal da Capital. Nela, o Gaeco o acusa de cobrar comissões indevidas, em dinheiro, para influenciar a escolha de contratados pelo então coordenador de projetos como “Lei Seca”, “Lapa Presente”, “Lagoa Presente”, "Aterro Presente” e “Barra Presente”. Entre maio e dezembro de 2015, o coordenador era o major da PM Marcelo Abel da Rocha. Orson Welles estava lotado em cargo de confiança na Secretaria de Estado de Governo e era, à época, membro suplente da Comissão de Ética do PMDB fluminense.

A denúncia aponta, pelo menos, quatro casos com a participação de Orson, que totalizaram cobrança indevida de R$ 23 mil feita a candidatos a serem contratados para atuar nos projetos, sob a responsabilidade e execução da secretaria. Ainda segundo a denúncia apresentada à Justiça, quem aceitasse pagar teria o comprometimento de Orson para influenciar o major na entrevista e contratação dos pagantes. A denúncia descreve, ainda, que o funcionário deixava claro aos interessados a necessidade da cobrança, pois o dinheiro seria entregue ao coordenador do projeto, no caso, o major Marcelo Rocha, que não tinha ciência da cobrança.

A atual denúncia decorre de um desdobramento das investigações da Operação Carcinoma I, em parceria com a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança (SSINTE/Seseg). Caso condenado, Orson Welles da Cruz pode cumprir pena de 4 a 10 anos de prisão, para cada crime, mais multa (art. 332 do Código Penal).

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