'Aqui está a droga que meu neto usava', diz avô de jovem morto no Borel

Antônio Trigo Alves jogou sobre um túmulo o boné perfurado pela bala, a camiseta ensaguentada e o saco de pipoca que família alega que Jonathan segurava

Por karilayn.areias

Rio - O jovem Jhonata Dalber Matos Alves, de 16 anos — morto na noite de quinta-feira no Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio — foi enterrado na tarde deste sábado no Cemitério do Catumbi, na Zona Central da cidade. Mais de cem pessoas se despediram do garoto e algumas delas vestiam camisetas brancas com a fotografia do menino.

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A mãe de Jonathan, Janaína Carvalho, passou todo o cortejo debruçada sobre o caixão do filho. Ao final do enterro, o avô de Jonathan, Antônio Trigo Alves, jogou sobre um túmulo o boné perfurado pela bala, a camiseta ensaguentada, as munições encontradas ao lado do corpo e o saco de pipoca que a família dele alega que o jovem estava segurando no momento em que foi abordado pelos policias. "Aqui está a droga que meu neto usava, um saquinho de pipoca", disse ele muito emocionado.

Ao fim do enterro, um amigo de Jonathan revoltado com o acontecido xingou os policiais que reforçavam o patrulhamento no local de "covardes", entretanto os PMs não revidaram. Do lado de fora do cemitério, quatro carros de polícia faziam a ronda no local. 

Jhonata Dalber Matos Alves foi morto na noite de quinta-feira no Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio. O rapaz foi atingido por um tiro na cabeça. Parentes do rapaz afirmam que Jhonata foi morto porque policiais militares confundiram saquinhos de pipoca que ele tinha nas mãos com drogas. Já a versão da PM é a de que ele teria participado de troca de tiros com os policiais da UPP da comunidade.

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