Site ajuda a garantir moradias para voluntários a preços simbólicos

Portal 'Meu Lugar no Rio' facilita acomodação daqueles que encontravam dificuldades por causa do alto preço de aluguéis

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Com fama de hospitaleiro, o carioca tem abusado da sua criatividade para receber voluntários do mundo inteiro para os Jogos Olímpicos. Igrejas, ‘playgrounds’ de prédios e até museus podem entrar na lista. Lançado em maio para facilitar a acomodação dos voluntários no Rio, que encontravam dificuldades devido ao alto preço de aluguéis e diárias, o site ‘Meu Lugar no Rio’ tem sido o responsável por garantir moradias a preços simbólicos e até mesmo de graça.

Diretor do Centro Educacional Fernandes Marques, em Curicica, Diogo Fernandes se cadastrou na plataforma e disponibilizou quatro salas de aula para receber, de graça, os voluntários. Praticante de esportes há anos, o diretor topou na hora quando recebeu o convite, feito por um dos próprios voluntários.

Carlos Otávio vai trabalhar na Marina da Glória como voluntário nos Jogos Olímpicos. Seus hóspedes%2C Luciano Mangano e Brian Bourguer vão atuar em outras áreas da cidadeDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“A experiência de receber pessoas de vários lugares é bem legal. E o grande desafio é transformar a escola para dar conforto à essas pessoas”, diz. Já o fisioterapeuta, e também voluntário, Carlos Otávio, cedeu duas acomodações no seu apartamento, em Copacabana, para um paulista e um argentino.

“É a primeira vez que recebo desconhecidos em casa, mas conversamos bastante, e eles me enviaram cópias de documentos pessoais. A relação se tornou de total confiança. Até orientei o argentino que vai trabalhar em Deodoro que o local é meio perigoso”, revela.

Além de residências, a Paróquia São Francisco de Paula, na Barra, entrou na onda. Por lá, o Padre Constantino vai receber cerca de 15 voluntários em sua sede. Flavia Fontes, é gerente geral de voluntário na Rio 2016 e conta que a ferramenta tem sido peça chave para a chegada dos voluntários.

Como os anfitriões não passam por uma análise de perfil ao se cadastrarem no site, a orientação é que os voluntários conversem bastante e se certifiquem de que eles são de confiança. “Até agora a participação tem sido positiva, de ambos os lados. Apresentamos, inclusive, um mapa das regiões mais seguras próximas às áreas do evento. E os voluntários criaram grupos nas redes sociais para não deixar o colega cair em cilada”, comenta Flavia.

Flavia adianta que estão pleiteando o uso do Museu dos Escoteiros, no Centro, como base para os voluntários beberem água, fazerem uma refeição ou mesmo tomar banho. Além disso, uma voluntária tenta disponibilizar o ‘playground’ do prédio onde mora para alocar mais voluntários.

Com cerca de 3.500 acomodações disponíveis e, aproximadamente, 5.000 voluntários cadastrados, o serviço é gratuito e o site fica online até o fim da Paralimpíada. Apenas voluntários podem buscar alojamentos, turistas não serão atendidos pelo site.

Treinamento nos céus e problemas nos aeroportos

As restrições para o tráfego de aeronaves no Rio para as Olimpíadas começarão no próximo dia 24, informou ontem a Força Aérea Brasileira. De 24 de julho a 22 de agosto, o voo comercial ficará restrito em um raio de 7,2 quilômetros das cinco regiões que terão competições: Barra da Tijuca, Copacabana, Maracanã, Engenho de Dentro e Deodoro.

Nesta quinta-feira, uma simulação de abordagem de uma aeronave invasora foi realizada no espaço aéreo da Zona Sul do Rio. Isso porque, a aeronáutica tem autorização para expulsar e, em última medida, abater alguma aeronave invasora. Na Copa de 2014, uma aeronave chegou a invadir o espaço restrito por engano e foi conduzida para a região de voo permitida.

A FAB fez treinamento de abordagem de aeronaves invasoras no espaço aéreo restrito do RioDivulgação

Já em terra, no Aeroporto Santos Dumont, um grupo de pessoas invadiu a pista, desobedecendo um sinal sonoro. Uma decolagem foi atrasada. No Galeão, fiscais da Receita Federal fizeram ‘operação padrão’ e atrasaram o desembarque para protestar por aumento de salários.

Nove feiras da Zona Sul, Centro e Barra serão suspensas nos Jogos

Moradores e feirantes terão que se reorganizar para o comercialização de produtos durante os Jogos. Seis bairros do Rio que recebem feiras livres - de móveis, artes e de alimentos — terão o funcionamento suspenso em alguns dias durante a Olimpíada.

Nove feiras itinerantes que ocorrem todas as semanas nos bairros de Copacabana, Leme, Ipanema e Glória, na Zona Sul, Barra da Tijuca, na Zona Oeste, e Cidade Nova, no Centro, serão suspensas por uma ou duas semanas, no máximo, já que estão no trajeto de competições de acordo com a Empresa Olímpica Municipal (EOM).

A Secretaria Municipal de Ordem Pública, responsável pelo controle de feiras livres, informou que, a partir da próxima semana, as feiras que serão suspensas vão receber um grupos da secretaria para informar a população e os feirantes sobre a suspensão.

A publicitária Talita Mazzini, moradora da Glória e que está acostumada a comprar frutas, queijos e legumes na feira do bairro, não viu com bons olhos a suspensão. “Eu não sabia disso. Fui informada apenas sobre a mudança no trânsito no ponto de ônibus. Procurei entrar no site para ter acesso à informação e achei essa questão da feira”, conta.

Em Copacabana, serão suspensas a Feira Noturna Turística e a Feirarte, na Avenida Atlântica, em 6 e 7 de agosto (sábado e domingo). Em Ipanema, a Feira da Rainha Elizabeth, não funcionará em 7 e 14 de agosto e possivelmente no dia 21. Ontem, a Receita Federal destruiu mercadorias apreendidas com falsificações de símbolos dos Jogos Rio 2016.

Colaborou Julianna Prado

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