Morte de homem que atropelou família em Caxias foi por vingança, diz polícia

Testemunhas contaram que suspeito de matar uma mãe e três crianças dirigia alcoolizado na ocasião

Por gabriela.mattos

Mãe e três filhos foram mortos após serem atropelados na tarde do último sábadoarquivo pessoal

Rio - A morte do motorista Ronaldo Silva Santos, de 36 anos, que atropelou no último sábado uma mulher com as suas três filhas em Saracuruna, Duque de Caxias, pode ter sido ordenada por milicianos. O pedreiro, que estaria alcoolizado quando dirigia o veículo, foi linchado e atingido por quatro tiros no rosto. Em seguida, o carro dele foi queimado. Moradores ainda arrombaram a casa de Ronaldo, no Parque Redentor, e roubarando aparelhos de TV, ar condicionado e microondas, segundo o ‘SBT Rio’.

Entre as vítimas fatais do atropelamento, estão as irmãs de 4 meses e de 2 anos, que morreram no local. A mãe delas, Juliene Martins Ferreira, de 26, teve ferimentos leves. A filha mais velha, de 7 anos, está internada no Hospital de Saracuruna e seu estado de saúde é grave.

"Falaram de um vulgo (apelido), mas ainda temos que voltar ao local para amadurecer essa informação a respeito desse suposto miliciano que teria atirado no atropelador. Recebemos ligações anônimas. Foi ‘olho por olho, dente por dente’. Pura vingança mesmo contra o que aconteceu com a mãe e as crianças”, afirmou o delegado assistente da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Luís Otávio Franco.

Apesar de testemunhas afirmarem que Ronaldo estava alcoolizado, o delegado diz que é necessário um laudo confirmar a hipótese. “Se ficar comprovado que ele estava alcoolizado, o caso pode evoluir para homicídio doloso e também passar a ser investigado pela DHBF”, explicou o delegado. 

Os suspeitos de terem matado Ronaldo podem pegar de 12 a 30 anos de prisão, por homicídio qualificado. A polícia ainda não sabe quantas pessoas teriam linchado o motorista, que morava sozinho há dois anos na região. A família vítima do atropelamento voltava de um culto religioso quando ocorreu o acidente.

Para o advogado criminalista Rafael Faria, os linchadores devem responder por lesão corporal. “É impossível que aceitemos esse tipo de comportamento. As pessoas que lesionaram o motorista estão acobertadas por uma redução de crime e não são presas”, comentou.

O crime chocou também especialistas em segurança pública, como o ex-comandante geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte. “É muito doloroso saber que duas crianças foram tão duramente retiradas da vida pela imprudência humana. Depois, também a forma pela qual o criminoso pagou pelo seu erro, com a própria vida e submetido a uma execução extrajudicial, com características de condução por uma dessas estruturas de poder bárbaras que parecem cada vez mais dominar o Rio: tráfico e milícias”, comentou.

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