Por karilayn.areias

Rio - Candidato escolhido pelo prefeito Eduardo Paes, o ex-todo-poderoso secretário da prefeitura Pedro Paulo Carvalho (PMDB) ainda não decolou nas pesquisas de intenção de voto a uma semana da eleição. Para ele, o desgaste é fruto, em parte, da crise econômica no governo do estado e do escândalo que envolveu sua ex-mulher. Pedro Paulo garante que as finanças do Rio vão muito bem e promete que, se eleito, não irá taxar os aposentados e pensionistas cariocas. “Essa é uma decisão política.” 

Pedro Paulo%3A 'Todos os meus recursos são 100% legais. Não tenho qualquer tipo de problema com doações'Alexandre Brum / Agência O Dia

ODIA: As pesquisas de opinião mostram que 27% dos eleitores consideram a gestão de Eduardo Paes boa ou ótima, mas o senhor tem apenas 10% da preferência do eleitorado. Sua candidatura não decolou.Por quê?

PEDRO PAULO: É uma eleição diferente de todas as outras, muito mais fria. Tivemos um conjunto de eventos — Olimpíada, Paralimpíada, impeachment, cassação do Cunha — e, aliado a isso, uma forma de fazer campanha diferente, sem placas ou cabos eleitorais espalhados na rua. As pessoas não se deram conta de que daqui a pouco tem eleição. Acredito que vamos ver um processo de decisão do voto muito em cima da hora. Além disso, sou um dos poucos que é candidato pela primeira vez.

Mas o senhor tem o maior índice de rejeição. A que atribui isso?

Todo candidato que representa uma candidatura da administração chega com a rejeição que o próprio governo tem. Existe muita gente que, se tem governo, é contra. Tem pessoas que não aprovam nossa administração. E tem outro elemento que é o momento que vive o governo do estado.

O senhor está preocupado com essa associação ao governo do estado, que decretou calamidade pública? Atrapalha a sua candidatura?

Sempre trabalhamos a importância da parceria. O momento do estado não é exclusividade do Rio. Quinze governadores foram levar a ameaça de decretar calamidade pública ao ministro da Fazenda. É um problema sistêmico do nosso arranjo federativo. No Rio, o problema é conjuntural. O que não impede que também sejamos parceiros. Tanto que assumimos hospitais, restaurantes populares, ações de segurança pública. É claro que essa situação reflete na minha campanha. O eleitor não quer saber se é do estado ou do município. Ele quer o serviço de qualidade.

Mas o problema não é só a crise. Foi a mentira contada pelo Pezão, em 2014, que, assim como a Dilma, deu a entender que estava tudo maravilhoso. Vocês repetem o discurso em relação à prefeitura. Essa desconfiança também afeta a sua campanha?

É razoável que se tenha a desconfiança, mas é preciso conhecer as realidades. A prefeitura nunca deixou que as despesas correntes fossem maior que as receitas. Sempre fomos mais rigorosos nisso. Também temos um sistema previdenciário que está em equilíbrio.

Mas os adversários dizem que vai quebrar.

Eu sou muito mais gestor que todos os outros candidatos, como economista e chefe da Casa Civil. Tem que conhecer os números. O sistema está em equilíbrio, não há esse risco. A escolha que fizemos foi de capitalização, não de oneração. Todo ano dizem que a prefeitura tem que cobrar os 11% dos aposentados, que é o que diz a reforma da previdência. A prefeitura tomou a decisão de não cobrar os inativos. Vou manter o sistema em equilíbrio, sem cobrar os inativos. É uma decisão política.

O sr. acha que as acusações de agressão à sua ex-mulher contribuem para a alta rejeição?

É claro que, ainda que esteja esclarecido, tem pessoas que não querem enxergar os fatos. Mas a própria campanha é boa para esclarecer isso. Fui inocentado depois de um processo de dez meses. Não foram recolhidos só depoimentos, foram colhidos laudos. As acusações eram falsas e eu sou inocente.

Mas o senhor assumiu publicamente a agressão em novembro de 2015?

Fui dar satisfação pública. Fiz um pedido de desculpas à família, por estar sofrendo uma exposição pública. Ao longo do processo, uma série de interpretações foram dadas. Desde o primeiro momento do episódio, minha versão foi só uma: que aquilo, da forma como havia sido colocado, não aconteceu.

Mas ainda usam esse fato contra o senhor. Isso o incomoda?

Me incomoda, em alguma medida, porque tentam condenar quem foi inocentado em última instância. É uma tentativa de desmerecer a decisão da Justiça, da mais alta corte deste país. Acho um risco os cariocas tomarem uma decisão com base em uma premissa que não é verdadeira.

Questiona-se que são muitas versões, que as versões dela vão mudando, e que isso deslegitimaria os argumentos (da sua inocência).

O embasamento da comprovação da minha inocência não é só em um depoimento. Nem só no dela, nem só no da babá, nem só no do perito que fez o laudo. É o conjunto das provas. Todas elas caminham na mesma direção, que foi a da decisão da Polícia Federal, da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal. Todas elas comparadas chegaram à conclusão.  

O senhor teme o voto útil da esquerda: a Jandira herdar os votos do Freixo ou o oposto?

O problema do Freixo é que ele não reciclou. Continua com as mesmas ideias do século passado e não avança, não amplia eleitorado, visão de cidade e de mundo. Ele é aquela coisa limitada e ultrapassada que a história e os fatos já provaram que não são factíveis.

E o Indio da Costa?

O Indio é reconhecido na administração pública pela CPI da Merenda e, de outro lado, pela multiplicação excepcional do patrimônio pessoal. Ele começa como deputado com R$ 340 mil de patrimônio e termina com R$ 12 milhões. Vai ver que aquele aplicativo que ele cita, o ‘Uber da saúde’, foi ele mesmo quem criou.

A população fica muito preocupada por conta das denúncias de corrupção envolvendo as Organizações Sociais de saúde. Sua campanha tem doações de diretores dessas organizações. Isso não gera um incômodo?

Todos os meus recursos são 100% legais. Recebo e não tenho qualquer tipo de problema com doações de pessoas físicas, seja de empresa, organização social, servidor público. Um funcionário pode ver as chances de ter o Crivella, que representa o atraso, com Garotinho, Edir Macedo e o Rodrigo Bethlem como principais articuladores. Ou o Indio, cuja experiência é de desvio de recurso de merenda, e apoiar minha candidatura, que é a de um Rio que avançou.

Mas tem mais de 50 servidores que ocupam cargo em comissão na prefeitura que doaram o mesmo valor de R$ 5 mil para sua campanha.

Isso é normal na campanha. As pessoas fazem encontros, se organizam e fazem as doações. Qual é o problema de eles se engajarem na minha campanha?

A prefeitura prometeu climatizar 100% dos ônibus, e não fez. Por quê?

Não conseguimos cumprir os 100%. Saímos de zero para 60%.Meu compromisso é chegar a 100% — até 2020, porque não vou botar subsídio na tarifa de ônibus. São Paulo bota R$ 1 bilhão nisso. É um ralo de dinheiro.

Na educação, a prefeitura cita tanto Leonel Brizola, mas as faladas escolas em tempo integral têm turno de apenas 7 horas. Que mãe consegue pegar o filho na escola às 14h30? Chamar isso de tempo integral não é maquiar a realidade?

O Plano Nacional de Educação diz que sete horas é tempo integral. A prioridade é a criança. Tanto que tiramos as creches da secretaria de assistência social e trouxemos para a educação. Nossa realidade são turnos de quatro horas e meia. Nós vamos chegar ao fim deste ano com 35% da rede já passados para sete. Tem outros 65% que precisam passar para sete. Depois, pensamos em uma escala adicional. O ótimo é inimigo do bom. É uma coisa de cada vez.

A Jandira Feghali o acusa de traição por ter votado a favor do impeachment de Dilma. O que o senhor acha dessa nacionalização d a campanha?

Eu traí? Ela não traiu o Eduardo Paes por ter sido secretária de Cultura e estar cuspindo no prato que comeu? Aliás, a campanha parece reunião de secretariado. Têm a Jandira, o Osório, o Indio. Todos eles foram do governo Paes. O que eu espero é que o eleitor escolha o melhor secretário do Eduardo Paes, que fui eu. Nós fomos corretos com o governo federal. 

*Com o estagiário Caio Sartori

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