Operação cumpre mandados de prisão contra cinco policiais envolvidos com tráfico

Ação em comunidades de Nova Iguaçu cumpre outros 21 mandados de prisão e 10 de apreensão contra menores do Terceiro Comando Puro (TCP)

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Oitenta policiais civis realizam, na manhã desta sexta-feira, uma operação nas comunidades Buraco do Boi, Aymoré, Três Campos e Inferninho, em Nova Iguaçu e Mesquita, na Baixada Fluminense, para prender traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) que atuam na região. A ação tenta cumprir 25 mandados de prisão e 10 mandados de busca e apreensão contra menores que também atuam no tráfico. Três policiais militares e um policial civil, que facilitavam o trabalho da quadrilha, foram presos, além de um traficante. Um outro PM ainda não foi encontrado. 

"Eles deveriam se empenhar em combater o tráfico, em prender os traficantes, mas se empenhavam para arrecadar cada vez mais", disse o delegado Paulo Roberto Lima de Freitas, da 58ª DP (Posse), que revelou que o valor chegava a R$ 70 mil por comunidade. Alguns mandados de prisão foram cumpridos contra criminosos que já estavam presos.

A operação da 58ª DP (Posse), chamada de "Boi da Cara Preta", tem o apoio da Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL), do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB), do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). O Ministério Público do Rio também participa da ação através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Nas investigações, que começaram em junho de 2015, os agentes da 58ª DP identificaram e prenderam em flagrante sete pessoas, entre maiores e menores de idade, que integram o tráfico de drogas na região e que teriam sido responsáveis por expulsar uma moradora da comunidade de sua casa.

Ao longo das investigações também foram identificadas as principais lideranças do TCP e como funcionava o tráfico nas comunidades, com a convência de policias militares do batalhão de Nova Iguaçu, que não combatiam a atuação dos criminosos. Na linguagem dos criminosos, os PMs eram identificados como "funcionários", enquantos os responsáveis pelos pagamentos eram conhecidos como "sintonia". O envolvimento de um policial civil foi identificada e fez a delegacia acionar a Corregedoria Interna da Polícia Civil. A ligação dos policiais com os traficantes ficou comprovada através de ligações telefônicas, onde eram informadas até operações da polícia que aconteceriam na região. 

Ao longo de um ano, diversas prisões em flagrantes e apreensões de menores integrantes do TCP foram realizadas, além de grande quantidade de droga, dinheiro, rádios transmissores, veículos e armas.

Pagamento com dia e local marcado

O "pagamento" aos policiais que facilitavam o tráfico nas comunidades tinha data e hora marcada para acontecer: Segundo a denúncia do Gaeco, os PMs, do BPM (Mesquita) recebiam às sextas-feiras, sábados e domingos, enquanto para o policial civil a propina era paga às terças-feiras, no interior da comunidade, em postos de gasolina ou dentro dos próprios DPOs. Os valores chegavam a R$ 70 mil por comunidade. Os DPOs recebiam R$ 9 mil por semana, em três parcelas de R$ 3 mil (sexta, sábado e domingo). Cada equipe do GAT recebia R$ 5 mil por semana e a P2 recebia R$ 3 mil por semana. Já o policial civil, lotado na 56ª DP (Comendador Soares) recebia R$ 3 mil por semana, de acordo com as investigações.

Os policiais civil e militares vão responder pelos crimes de organização criminosa. Uma cópia da denúncia será enviada à Promotoria de Justiça de Auditoria Militar, que deverá apurar o crime de corrupção passiva dos PMs. O policial civil vai responder na Justiça pelo crime de corrupção passiva e os traficantes por associação para o tráfico e corrupção ativa.

Líderes são de Vigário e Parada de Lucas

As comunidades de Nova Iguaçu são subordinadas e abastecidas por lideranças do tráfico em Parada de Lucas e Vigário Geral, ambas do TCP, para onde são enviados os lucros da venda de entorpecentes. 

A investigação apontou que o líder da quadrilha é Alvaro Malaquias Santa Rosa, vulgo Peixão, e Jorge Diego Cardozo Martins, homem de confiança e líder nas comunidades do Buraco do Boi e Aymoré. Outra liderança identificada é Rodrigo Ribeiro da Silva, que tem influência tanto em Vigário Geral, como também nas comunidades do Inferninho e Três Campos.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia