Ciclone causou ressaca e buracos na orla

Maior parte da areia retirada das pistas foi colocada de volta na praia por tratores. Soloa fundou em alguns trechos

Por clarissa.sardenberg

Rio - As fortes ondas registradas no litoral do Rio desde sábado foram consequência do ciclone extratropical que atingiu o Sul do país na semana passada. Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). No Rio, algumas avenidas ficaram interditadas, e a Ciclovia Tim Maia fechou. Quiosques foram danificados, e a água chegou a atingir prédios próximos à praia.

O Centro de Hidrografia da Marinha do Brasil alerta que as ondas de até 3 metros devem ocorrer até as 10h de hoje. O Centro de Operações da Prefeitura do Rio recomendou que a população evite o banho de mar.

Desvio na caminhada%3A no dia seguinte ao mar invadir pistas%2C Calçadão foi ocupado por tratores para limpezaMarcio Mercante / AG. ODIA

O piso do Calçadão cedeu no trecho da Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, formando crateras. De acordo com a Orla Rio, o peso dos tratores usados para remover areia causou o afundamento do solo.

A areia retirada das pistas teve que ser jogada fora e não reposta na praia, devido à sujeira misturada.

Na Região dos Lagos, moradores e visitantes vibraram com o espetáculo das ondas gigantes, mas também ficaram com medo. No sábado, elas ultrapassaram os 4 metros em Saquarema. E, na lagoa da cidade, a água subiu tanto que atingiu a calçada próximo à Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, no Centro, próximo à Praia da Vila.

“Esse ciclone foi se deslocando para o oceano e deixando o mar agitado. O pior já passou, ele está um pouco afastado do oceano, embora ainda possa causar ondas altas em torno de 2,5 a 3 metros de altura em alguns pontos. O mar está elevado, ainda agitado, mas menor do que já esteve”, explicou a meteorologista do CPTEC Marília Guedes do Nascimento.

O ciclone extratropical que atingiu a Região Sul na provocou ventos de até 130 quilômetros por hora em algumas cidades.

Serviço acaba quarta-feira

Total de 196 garis e 24 veículos, como caminhões basculantes, pás mecânicas, tratores, caminhões pipa e varredeiras foram mobilizados para fazer a limpeza da orla afetada.

O serviço de terraplenagem deverá ser concluído somente na quarta ou quinta-feira, segundo o gerente de departamento da Comlurb, Fernando Morais. “Trabalho aqui há 17 anos e nunca vi uma ressaca como essa. O máximo que eu via era a água atravessar para a pista, mas a areia atravessar desse jeito, nunca tinha visto”, contou.

Do hotel onde estava, na orla, a enfermeira australiana Reda viu a intensidade das ondas. “À noite, várias ondas muito fortes vieram e hoje (ontem) pela manhã, quando acordamos, metade da avenida estava cheia de areia. Nosso guia disse que nunca viu nada igual”, contou ela.

“Acho que o homem vem mexendo muito com a natureza, a gente não a tem respeitado. E cuidar dela é uma responsabilidade de todos e de cada um”, disse a psicóloga Maria Lenita Silveira, que caminhava pela orla do Leblon.

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