Por gabriela.mattos

Rio - O dia seguinte da vitória de Marcelo Crivella nas urnas foi de agradecimento aos eleitores e negociação com os aliados para montar o novo secretariado. Ciente de que o próximo ano será de vacas magras no que diz respeito às receitas municipais, o prefeito eleito prometeu cortar custos e reduzir o número de secretarias “a menos da metade” das 24 atuais.

Marcelo Crivella ainda não decidiu quais serão extintas ou incorporadas a outras, tampouco confirmou oficialmente o nome dos novos secretários, mas pelo menos dez aliados estão muito bem cotados na bolsa de apostas: Paulo Messina (Educação), Dr. Carlos Eduardo (Saúde), Ricardo Amaral (Turismo), Carlos Osório (Transportes), Fernando Mac Dowell (Transportes), Sergio Sá Leitão (Cultura), Isaías Zavarise (Casa Civil), Indio da Costa (Saúde ou Casa Civil), Marcelo Faulhaber (Casa Civil) e Marcos Braz (Esportes). Além deles, Clarissa Garotinho e Aspásia Camargo também devem ter espaço no governo, nas áreas de Assistência Social e Meio Ambiente, respectivamente.

“Será uma caça aos valores na hora de montar o secretariado, que deverá ser muito enxuto. Vamos fazer um governo austero. Estamos vivendo um ajuste fiscal. O número de secretarias será menos da metade”, disse Crivella, durante caminhada no Calçadão de Santa Cruz, na Zona Oeste, onde obteve mais de 70% dos votos.

Ao longo da campanha, ainda como candidato, Crivella prometeu que sua primeira ação após a posse seria formar um mutirão para acabar com as filas no Sistema de Regulação de Leitos da rede municipal de saúde, o SisReg. A intenção do prefeito eleito é possibilitar que pacientes com problemas de baixa complexidade, como catarata, cálculo renal e varizes, sejam operados o quanto antes.

“É uma das primeiras coisas que vamos fazer”, voltou a prometer. “Se a catarata não for tratada, em dois ou três anos a pessoa pode ficar cega”, completou Crivella.
A Segurança Pública também está entre as prioridades do novo prefeito, que prometeu novas atribuições à Guarda Municipal. A partir de janeiro, a função primordial dos agentes será o patrulhamento comunitário.

“A Guarda Municipal vai voltar a patrulhar. Pelo menos 80% do efetivo irá fazer isso, em vez de cuidar apenas de vigiar o patrimônio público”, disse Crivella.

A polêmica ideia de armar a Guarda Municipal, criticada pelas principais autoridades em segurança pública, não será adotada.

“Não acho que a solução seja colocar mais armas na rua. Talvez armas não-letais, spray de pimenta, que resolveram problemas em presídios”, concluiu.

Prefeito eleito diz que pretende assistir ao Carnaval na Sapucaí

O primeiro dia de Marcelo Crivella como prefeito eleito foi, também, dia de sinalizar àqueles que o criticaram ao longo da campanha que sua gestão será de tolerância às diferenças culturais.

Questionado sobre o Carnaval, primeiro grande evento de sua gestão, Crivella, como se diz na gíria, não se fez de rogado. E prometeu comparecer ao sambódromo para prestigiar os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, no fim de fevereiro.

“Espero comparecer. Eu já fui e vou dizer a vocês que eu sou o primeiro cantor gospel a gravar um samba. Se chama “Gente Fina”, brincou o prefeito, que afirmou não ter preferência por uma escola, apesar de ter dito ao DIA, em perfil publicado anteontem, dia da eleição, que era mangueirense: “Amo todas”, despistou o prefeito.

Crivella também mostrou disposição para o diálogo com as demais forças políticas da cidade, mesmo antes de sua posse, em janeiro.

“Já conversei com 38 dos 51 vereadores, já conversei também com o governador Luiz Fernando Pezão e amanhã (hoje) estou indo para Brasília conversar com o presidente Temer. Nós vamos sair da crise”, aposta Crivella. Sobre o papo telefônico com o prefeito Eduardo Paes, Crivella disse que o tom foi amistoso: “Ele está com ciúme de mim, porque queria continuar prefeito”.

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