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Pai dirige 23 km com restos mortais que seriam do próprio filho até IML

Família afirma que bombeiros deixaram de remover cadáver para levar ferido de confronto

Por thiago.antunes

Rio - Quase 23 km. Esta foi a distância que um encarregado de obras, de 41 anos, precisou dirigir carregando pedaços do corpo que acredita ser do próprio filho, Márcio Luiz Santos, de 20 anos. Na quinta-feira à tarde, após encontrar os restos mortais no Rio Acari, parentes da vítima ligaram para o Corpo de Bombeiros de Irajá solicitando a remoção do corpo.

Uma guarnição chegou por volta das 16h na Rua Prefeito Sá Lessa. Mas por conta do confronto que vitimou a estudante Maria Eduarda dentro do colégio na mesma via, os bombeiros foram acionados para socorrer outra pessoa ferida e não removeram o cadáver. 

Márcio teria sido esquartejado e jogado no Rio AcariReprodução

Na 17ª DP (São Cristóvão), onde o fato foi registrado como remoção de parte de corpo humano, a mãe do rapaz contou que foi orientada pelos bombeiros a seguir para o IML da Avenida Francisco Bicalho. A Defesa Civil afirmou, em nota, que o serviço de recolhimento de cadáveres foi acionado na quinta-feira e realizado. Antes disso, não houve acionamento.

Os familiares de Márcio colocaram as partes do cadáver dentro de um saco preto e depois no carro. Quando chegaram ao IML, foram orientados a seguir com o corpo para a 17ª DP, onde foi feita a guia de recolhimento. “Não sei se os bombeiros tinham ciência disso, mas não pode. Teria que ter passado para uma delegacia e o IML nos comunicou”, explicou o delegado André Neves, da 17ª DP. O caso será investigado pela 40ª DP (Honório Gurgel).

Em São Gonçalo%2C pai leva corpo do filho para praçaReprodução

O pai de Márcio disse que o filho foi sequestrado por criminosos em casa, na frente da mulher e da filha de 10 meses, na localidade das Casinhas, no Complexo da Pedreira. Logo em seguida, foi esquartejado e teve os restos jogados no rio. A família só soube que o corpo foi despojado no local três dias depois. “O legista já colheu as digitais e disse que é quase certo que o que encontrei seja o meu filho”.

Há informações de que bandidos do Morro do Jorge Turco, em Rocha Miranda, onde Márcio já havia morado, o tenham matado. “Mãe, eu te amo muito! Nunca esqueça que te amo muito”, disse o jovem à mãe, por telefone, horas antes de desaparecer. Segundo ela, o filho estava muito nervoso após receber a notícia que alguém estava querendo matá-lo. O pai contou que, em 2015, Márcio ficou preso 84 dias por tráfico. Demitido de uma construção onde trabalhava com o pai, passou a fazer bicos em uma metalúrgica com o tio.

Caso em São Gonçalo

Em São Gonçalo, um auxiliar de serviços gerais de 48 anos resgatou o corpo do filho, Dhlucas Santos de Oliveira, 19, na Vila Candoza. O jovem era morador da Favela da Alma, no bairro Amendoeira,dominado por facção rival ao local onde foi encontrado pelo pai. Com mais dois amigos, o pai enrolou o corpo do filho no lençol e desceu a Vila Candoza para acionar a polícia. 

Do repórter Guilherme Santos e do estagiário Rafael Nascimento, sob supervisão do repórter

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