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Governador tenta obter ajuda federal novamente após caos no Rio

Guerra de facções criminosas para a cidade, com intenso tiroteio, nove ônibus e dois caminhões queimados

Por thiago.antunes

Rio - A rodovia é federal, o bandido, estadual, o ônibus queimado é intermunicipal e o desespero deveria ser nacional, mas Brasília parece não enxergar a terrível situação em que se encontra o Rio de Janeiro. Novamente, cariocas e fluminenses ficaram reféns do crime organizado. Nada menos do que nove ônibus e dois caminhões foram incendiados por vândalos a serviço do tráfico. Tudo por causa de uma operação policial na Cidade Alta 

O governador Luiz Fernando Pezão, que já solicitou por diversas vezes ajuda federal, embarcou ontem à tarde para Brasília, onde se encontra hoje com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, para pedir reforço imediato para a Segurança Pública.

Os veículos em chamas interditaram vias importantes e causaram engarrafamento de 66 quilômetrosSeverino Silva / Agência O Dia

“A União trata o Rio com um desrespeito muito grande, e o desrespeito é à população, é ao Parlamento Fluminense e às instituições”, reclamou o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB).

Os ataques ocorreram em duas das mais importantes vias da Região Metropolitana: a Avenida Brasil e a rodovia federal Washington Luís, na altura de Duque de Caxias. Neste trecho passam, em média, 155 mil veículos por dia em ambos os sentidos. Houve um nó no trânsito, causando congestionamento de 66 quilômetros por volta das 11h.

Ônibus foram incendiados na Avenida Brasil%2C BR-040 e outras regiões do Rio em represália à ação da PM na Cidade AltaWhatsApp O DIA (98762-8248)

O impacto da interrupção do tráfego atingiu toda a capital, a ponto de a Prefeitura do Rio decretar estágio de atenção — segundo nível em escala de três, que acontece quando um ou mais incidentes impactam, no mínimo, uma região, provocando reflexos relevantes na mobilidade. O estágio de atenção só foi desfeito às 19h.

Segundo a Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Rio de Janeiro), 51 ônibus foram incendiados este ano por criminosos, superando todo o ano de 2016, que teve 43. O custo estimado para a reposição da frota destruída este ano já chega a R$ 22,9 milhões. Como não há seguro para casos de incêndios criminosos, os veículos destruídos serão inteiramente descartados, para prejuízo da população.

PRF e Força Nacional

Pezão disse ontem ao DIA, antes de viajar, que vai solicitar de novo a presença da Força Nacional na capital e mais homens da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O pedido havia sido feito semana passada por ele ao presidente Michel Temer, que não o atendeu.

“A intenção, com esse reforço, é barrar a entrada de armas e drogas no estado. Um cerco é primordial, já que armas, sobretudo, não são produzidas no estado”, afirmou. Ele nega que tenha conversado com Temer sobre a possibilidade de intervenção das Forças Armadas no Rio. Jungmann se reuniria ontem à noite com Temer, para análise do pedido.

O governo não tem sido capaz

“O governo federal não tem sido capaz de dar respostas mais eficientes e em menos prazo. Isso só agrava a situação e demonstra incapacidade. O Governo faz pressão sobre o legislativo quando do seu interesse”, afirmou o cientista político Eurico Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Segundo ele, o Rio continua sendo a segunda maior economia do país e está passando por problemas que não serão equacionados em curto prazo. “É preciso sabedoria dos nossos governantes para que tenham políticas públicas que contribuam para toda a sociedade”.

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