Moradores reclamam da violência no bairro, que tem muitas lojas fechadas e imóveis à venda - Severino Silva
Moradores reclamam da violência no bairro, que tem muitas lojas fechadas e imóveis à vendaSeverino Silva
Por RAFAEL NASCIMENTO

Rio - Uma triste e assustadora rotina de violência tem tirado o sono dos moradores do Grande Méier. E a insegurança é muito mais do que uma simples sensação. Ela é real, como atesta o Instituto de Segurança Pública (ISP). Na comparação entre o primeiro trimestre de 2017 com o mesmo período de 2018, o ISP registrou aumento de 13,6% no indicador de letalidade violenta da região. O índice abrange os homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, além de homicídios decorrentes de intervenção policial, os autos de resistência.

No final da noite de domingo, mais uma vez moradores do Méier se viram no meio de um bangue-bangue entre policiais e criminosos. Desta vez, o tiroteio aconteceu em um dos locais mais movimentados do bairro: a porta do Hospital Municipal Salgado Filho.

No local, pessoas que aguardavam atendimento, familiares de pacientes e funcionários do hospital passaram momentos de pânico. Muitos tiveram de se jogar no chão e procurar abrigo atrás de paredes para se proteger dos tiros.

Antes do confronto, que resultou na prisão de um bandido, policiais militares do 3° BPM (Méier) perseguiram, durante dois quilômetros, uma dupla de assaltantes que tinha acabado de roubar uma motocicleta. Os PMs estavam em patrulhamento de rotina pelo bairro, quando viram os suspeitos trafegando pela contramão e deram ordem para que parassem.

Os criminosos fugiram e iniciou-se a perseguição, que acabou em tiroteio na porta do hospital. Matheus dos Santos Pereira, de 19 anos, foi baleado no braço. Ele foi preso e atendido no próprio Salgado Filho. Com ele foi apreendida uma pistola. O outro bandido conseguiu fugir. A moto, roubada na Rua José Bonifácio, foi recuperada. Na rua do assalto, há diversos imóveis com placas anunciando a venda e moradores andam com medo.

Dono de uma loja de artigos religiosos há 14 anos, no Méier, próximo ao Hospital Salgado Filho, Joel Luiz Cossich, de 55 anos, reclamou da violência no bairro. "O negócio está tão feio aqui que a gente só está apelando para o santo, mas é importante lembrar que só ele não ajuda. O poder público tem que fazer alguma coisa porque os santos estão sobrecarregados", brincou. "Não ando mais a pé. Está tão absurdo, que assaltam na rua do batalhão (3º BPM, responsável pelo policiamento da área)", completou Joel.

'Todo dia tem assalto'
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"Todo dia tem assalto. Não tenho mais palavra para definir o que está acontecendo no Méier", o desabafo é do músico Celino Batista, de 63. Nascido e criado naquele que considerava o melhor bairro do subúrbio carioca, Batista disse que já cansou de testemunhar crimes. "Da minha varanda, já vi vários assaltos", contou ele, que já traçou uma estratégia para não ser alvo dos bandidos. "Não fico mais parado no ponto de ônibus porque os bandidos passam de moto e assaltam os passageiros. Fico esperando do outro lado da rua e, quando o ônibus passa, atravesso e entro", disse o músico.
Aos 84 anos, o aposentado Luiz Carlos Fonseca conta que perdeu a crença por dias de paz. "Com a minha idade, não tenho mais esperança de melhoria na segurança do Rio. Ultimamente, a gente não pode sair para lugar nenhum nessa cidade. Tenho medo de sair de casa e tomar uma bala perdida", lamentou o aposentado.
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