Por Bruna Fantti

Rio - O diretor-executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques, classificou como "um absurdo" a Polícia Federal não contabilizar o número de armas e munição extraviadas da instituição.

Conforme O DIA revelou, a PF não faz a contabilidade da quantidade dos desvios e somente abre inquéritos quando constata o crime. A informação foi fornecida pelo próprio diretor-geral da PF, Rogério Galloro, após um pedido feito pela reportagem do número de munições e armas desviadas da corporação nos últimos 15 anos, via Lei de Acesso à Informação.

Em resposta ao pedido, Galloro disse que seria inviável fornecer a informação pois "os sistemas utilizados para registros de ocorrências não trazem anotações específicas sobre tais informações, inicialmente sendo inviável a distinção, por meio de relatórios do sistema, de estatísticas especificamente relacionadas a armas e munições do órgão".

De acordo com Marques, "o caso é grave e é necessário uma mudança urgente na forma de gerir um banco de dados da munição da instituição. Além disso, é algo que deve ser adotado na gestão das polícias estaduais". Atualmente, as polícias militares de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, possuem um sistema informatizado de contabilidade da munição.

Marques lembrou que o Brasil é signatário do Tratado sobre o Comércio de Armas (TCA), que impõe aos países integrantes controle na importação e nos arsenais internos, principalmente nas questões de desvios.

O Diretor da Associação Brasileira de profissionais de Segurança, Vinícius Cavalcante, opinou que a falta de controle aumenta a perspectiva de desvio. "E isso é interessante para a criminalidade na medida que permite acessar a um conjunto de munição de boa qualidade e normalmente a um custo mais baixo", disse.

E alfinetou: "O que é paradoxal é que o órgão que tem o encargo de fiscalizar todo mundo, não se fiscaliza".

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