Investigação se baseia na delação de Carlos MirandaReprodução / TV Globo
Por Agência Brasil
Publicado 12/06/2018 21:33 | Atualizado 12/06/2018 21:33

Rio - O economista Carlos Miranda, apontado como operador financeiro do ex-governador Sérgio Cabral, disse, nesta terça-feira, durante depoimento na presença do juiz Marcelo Bretas, na 7ª Vara de Justiça Federal, como era feita a distribuição de propinas referentes a obras do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ).

Conforme o Ministério Público Federal (MPF), coube a Cabral R$ 17,5 milhões, além de US$ 175 mil. O delator afirmou que, conforme foi informado, na partilha dos recursos 50% eram destinados ao ex-governador e a outra metade a Henrique Alberto Santos Ribeiro, ex-presidente do DER-RJ no governo Cabral.

O depoimento foi no âmbito da Operação C'est Fini, deflagrada em novembro do ano passado, um desdobramento das Operações Calicute e Eficiência para apurar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em contratos com o estado do Rio.

Repasses começaram no final de 2007

De acordo com Miranda, o ex-governador e o ex-secretário de governo, Wilson Carlos, o informaram que havia um acordo para recolher propina do órgão, que chegaria a Cabral por intermédio de Lineu Castilho Martins, apontado como operador do ex-presidente do DER-RJ. Os repasses começaram a ser entregues ao economista do meio para o final de 2007. No esquema, Lineu era chamado pelos codinomes de Boris e Russo.

Miranda disse que os valores eram entregues em mochilas em seu escritório da Rua Ataulfo de Paiva, no Leblon, e depois passou a receber no seu escritório do Jardim Botânico, os dois na zona sul do Rio. Entre 2011 e 2014, segundo o economista, a responsabilidade pelo recolhimento da propina foi transferida para Luiz Carlos Bezerra.

“Ele passou a receber o Lineu em diversos lugares. No centro da cidade, no Terminal Menezes Cortes, no Largo do Machado, e tinha me contado que tinha marcado com Lineu algumas vezes no estacionamento das Lojas Americanas ”, disse.

Miranda acrescentou que o recebimento da propina não tinha data fixa, mas ocorria regularmente durante o governo Cabral, dependendo das datas em que o estado fazia os pagamentos às empresas envolvidas no esquema de favorecimento para conseguir obras. “Dependia dos pagamentos do estado, mas, normalmente, eram dentro de 40 a 45 dias”, disse, completando que os valores eram “em torno de R$ 100 mil a R$ 150 mil”.

Escolha de codinomes

O procurador da República, Almir Sanches, indagou qual era o codinome usado por Miranda no esquema e ele afirmou que era Jarbas. “Foi Wilson [Carlos] que passou esses codinomes e a gente usava isso para não dar o nome original um para o outro. Tanto é que quando o Lineu foi preso no ano passado e teve no presídio é que fiquei sabendo que era Lineu”, disse Miranda.

Os advogados de defesa de Lineu e Henrique perguntaram se Miranda tem documentos sobre os encontros e se tinha contatos com outras pessoas do governo Cabral. Ele respondeu que tinha em seu telefone os números do ex-secretário da Casa Civil, Régis Fichtner; de Cabral e do ex-secretário de Saúde, Sérgio Côrtes.

Estavam previstos, ainda, na audiência de hoje, os depoimentos do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jonas Lopes de Carvalho Júnior, e do seu filho, o ex-consultor do tribunal, Jonas Lopes de Carvalho Neto, que também são investigados na Operação C'est Fini e fecharam acordo de delação premiada. Seria ouvido também o delator Marcos Andrade Barbosa da Silva.

Como foram anexados, ontem, ao processo, vídeos de depoimentos, o juiz Bretas decidiu mudar a data, atendendo ao pedido da defesa dos envolvidos. A data, no entanto, segundo o procurador Almir Sanches ainda não foi marcada.

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