TH e Cara de Porco são apontados como os chefes do tráfico em favelas de CaxiasDivulgação
Por RAFAEL NASCIMENTO
Publicado 29/06/2018 08:48 | Atualizado 29/06/2018 14:47

Rio - O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Polícia Civil, por meio da Polinter, com apoio de agentes da Força Nacional, realizaram nesta sexta-feira a Operação Paraíso. O objetivo era cumprir mandados de prisão preventiva contra 30 acusados de associação para o tráfico de drogas na região de Campos Elíseos, Jardim Primavera e Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Bandidos dessas regiões têm ligação com criminosos do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Vinte e uma pessoas foram presas, algumas delas em flagrante. Não houve resistência.

Participam da operação em Caxias 150 policiais, com base em investigações que começaram há 10 meses. Segundo a denúncia, os acusados atuam nas comunidades do Rasta, Ana Clara, Barro Vermelho, Badu e do Padre, todas na região do 2º Distrito de Duque de Caxias. Através da interceptação de ligações telefônicas autorizadas pela Justiça, as investigações concluíram que a associação criminosa é liderada pelo denunciado Thiago Barbosa Conrado, conhecido como "Thiaguinho" ou "TH", e Welinton Oliveira Souza, o "Cara de Porco". 

Segundo o delegado Márcio Franco de Mendonça, diretor da Polinter, o dinheiro arrecadado pelo tráfico e com roubos de cargas e veículos era usado para comprar armas, principalmente fuzis, e ajudar a manter presos ligados a mesma quadrilha, com o pagamento de advogados e assistência às famílias. Durante as escutas telefônicas foi constatado que uma carga de 12 toneladas de cobre, roubadas de um caminhão, foi vendida e usada para comprar armamento. 

A pessoa responsável pelos depósitos, que eram mensais ou semanais, foi presa. Segundo o promotor do Gaeco Fábio Correia, o material apreendido nesta sexta-feira pode ajudar a identificar os detentos que recebiam ajuda do grupo. 

"Com esses documentos, vamos tentar identificar esses presos beneficiados. Acreditamos que os bandidos presos beneficiados são da região", falou.

Os bandidos também aliciavam menores de idade para trabalhar para o tráfico nas comunidades de Caxias. Um deles, de 16 anos, chegou a ser baleado após trocar tiros com a polícia. Mesmo após ser apreendido e cumprir medidas socioeducativas continuou "prestando serviços" para os traficantes. 

Outro denunciado, identificado como Shermann Londres de Souza, é responsável pela logística da quadrilha, desde a localização dos pontos de venda de drogas, o controle do fluxo da comercialização e a divisão do lucro, sempre prestando contas aos chefes do bando, do Complexo da Penha. Ele foi preso nesta quinta-feira no Hospital Municipal Barata Ribeiro, na Mangueira, após sofrer uma fratura no punho ao cair de moto. Os "gerentes do pó" imediatos são os denunciados Joanderson Silva dos Santos, Gabriel Valentin Mariano e Gustavo Rodrigues de Medeiros.

Segundo o MP, o grupo também realizava roubos na região, que serviam para obtenção de renda para os criminosos. Parte dos lucros era repassada a integrantes da facção. A ação busca ainda apreender dois adolescentes, integrantes do tráfico, cujos mandados de busca e apreensão foram obtidos pela Promotoria da Infância e Juventude de Duque de Caxias.

Região é disputada por tráfico e milícia

A região alvo da operação vem sendo palco de uma intensa disputa entre traficantes e milicianos. O Gaeco já ofereceu duas denúncias, entre 2017 e 2018, sobre homicídios decorrentes dessa guerra. Num dos casos, dois integrantes do tráfico foram mortos e um baleado por milicianos. No outro, três integrantes da milícia foram assassinados e um foi ferido a tiros por traficantes.

Nas escutas, os investigadores descobriram um ataque a um miliciano que atua na região, conhecido como Gordão da Silveira. Ele teve a sua casa metralhada e granadas foram jogadas na residência, um dia após uma operação policial nas favelas. Outra gravação mostra um criminoso dando ordem para enforcar um homem que seria "x-9" (informante da polícia). 

"Fazemos um trabalho de enxugar gelo. Em outubro enfraquecemos a milícia, mas o tráfico se fortaleceu. Com a operação desta sexta-feira, vai acontecer o contrário. Eles impõem à comunidade um terror. Ficou evidenciado a disputa territorial entre milícia e tráfico nas escutas", disse Márcio Franco.

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