Forte comoção no enterro das seis vítimas da chacina e apoio da Guarda Municipal de Mangaratiba - Armando Paiva/ Agência O Dia
Forte comoção no enterro das seis vítimas da chacina e apoio da Guarda Municipal de MangaratibaArmando Paiva/ Agência O Dia
Por NADEDJA CALADO

Em cerca de 24 horas, pelo menos 11 pessoas foram assassinadas em duas chacinas promovidas, segundo a polícia, por traficantes no estado. Na madrugada de ontem, uma disputa entre facções criminosas deixou cinco mortos na favela São Simão, em Queimados, Baixada Fluminense. Já na madrugada de anteontem, seis pessoas da mesma família foram executadas em casa, em Mangaratiba, na Costa Verde.

No caso de Queimados, a Polícia Militar foi acionada e informada de que os autores dos homicídios estariam na comunidade vizinha, o Morro da Torre, que é controlada pela facção criminosa Terceiro Comando Puro, enquanto a outra é dominada pelo Comando Vermelho.

Os agentes fizeram operação na favela para tentar capturar os criminosos, mas foram recebidos a tiros. Houve confronto e dois suspeitos foram baleados, socorridos para UPA de Queimados e transferidos para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, que informou que um deles estava em estado grave e outro, um menor, estável.

A PM apreendeu com os feridos uma pistola, uma granada, um rádio e drogas. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) foi acionada para a ocorrência na São Simão e periciou o local. Segundo a DHBF, os corpos ainda estavam sendo identificados ontem e os nomes não foram divulgados.

Foi instaurado um inquérito para apurar as circunstâncias do crime, e equipes estão fazendo diligências em busca de testemunhas e imagens que possam ajudar nas investigações. Queimados foi considerado o município mais violento do Brasil, com o maior índice de homicídios, segundo o último Atlas da Violência.

Na madrugada anterior houve a chacina que vitimou seis pessoas da mesma família em uma casa na Estrada RJ-14, bairro Bela Vista, em Mangaratiba. Os mortos foram o casal Claudemir Pinto Francelino, 33 anos, e Michele Nunes da Silva, 37; e os filhos de Michele, Rayane Nunes da Silva Garcia, 22; Rafael da Silva da Motta, 18 e Jonathan Nunes Muniz, 16, além de Bruno Souza dos Santos, 19 (conhecido como Índio). O corpo de Bruno, que seria o alvo do ataque, foi encontrado sobre o telhado e os cinco outros dentro de casa. O único poupado na casa foi um bebê de sete meses, filho de Rayane.

Família é enterrada na Costa Verde
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A família vítima da chacina em Mangaratiba foi velada e enterrada ontem no Cemitério Municipal da Praia do Saco. Cerca de 80 pessoas, entre familiares, amigos e vizinhos, estiveram na cerimônia, que também contou com apoio da Guarda Municipal de Mangaratiba. Os enterros aconteceram sob forte comoção. "Mataram minha família toda, só quero eles de volta", disse a adolescente de 15 anos, irmã de três jovens mortos, que escapou da chacina porque não estava em casa.
"Isso foi uma tragédia, ele estava no lugar errado na hora errada. Meu filho era trabalhador", disse o vendedor ambulante Valdemir Cruz Francelino, 52, pai de Claudemir. Ele contou que o filho trabalhava como mecânico e era casado com Michele há mais de dez anos. "Ele criou os filhos dela, eles todos se amavam muito, a dor é muito grande", lamentou Francelino.
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Segundo o delegado Rodrigo Coelho, da 156ª DP (Mangaratiba), o crime provavelmente foi cometido por traficantes que queriam matar Bruno dos Santos, que estaria vendendo drogas na região de forma independente, sem prestar contas para o chefe do tráfico local.
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