Bandido morre na Rua Dias da Cruz, no Méier ao trocar tiros com a polícia. Estefan Radovicz/Agência O Dia CIDADE,POLÍCIA,ASSALTO,TIROS,MORTEEstefan Radovicz/Agência O Dia
Por RAFAEL NASCIMENTO
Publicado 23/07/2018 09:01 | Atualizado 23/07/2018 14:12

Rio - Uma perseguição policial pelas ruas do Méier, na Zona Norte do Rio, terminou com um suspeito morto e um policial militar baleado na manhã desta segunda-feira. Tudo começou quando taxista num Fiat Idea foi rendido por criminoso e teve o carro roubado, na Rua Aquidabã. Perto dali, uma patrulha foi acionada.

Policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Cerro Corá, em apoio  à UPP Camarista Méier, perseguiram o suspeito por várias vias do bairro. Na altura do número 399 da Rua Dias da Cruz houve um confronto, e o suspeito foi baleado. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local. 

Um policial, identificado apenas como cabo Januário, foi baleado no ombro e socorrido para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins de Vasconcelos. Ele passou por exames, e o estado de saúde dele é considerado estável.

De acordo com a PM, com o suspeito foi apreendida uma pistola Glock. Na rua, um motorista que seguia na Dias da Cruz, sentido Méier, teve o carro perfurado por um tiro, mas não ficou ferido. 

A Delegacia de Homicídios (DH) da Capital chegou por volta das 9h35 e realizou uma perícia no local. Os agentes também buscaram recolher imagens de câmeras de segurança da região.

Bandido morre na Rua Dias da Cruz, no MéierEstefan Radovicz/Agência O Dia

'Sensação horrível', diz taxista roubado 

O taxista que teve o carro roubado disse que a ação criminosa foi muito rápida. “Eu estava parado no congestionamento. Ele apontou a arma, entrou e pegou o carro”, lembra o homem que, com medo, não quis se identificar. “Era a minha primeira viagem do dia. Aconteceu por volta das 7h. Avisei à PM, e eles vieram perseguindo o suspeito", relata o motorista. "Foi uma sensação horrível. Só pensei na minha família”, completa. 

Marcelo Martins, auxiliar de escritório, atravessava a rua quando houve o confronto. “Eu estava indo trabalhar. Do nada vieram em alta velocidade e trocando tiros. Eu só corri e me escondi para não ser baleado”, comenta o homem. “Vi quando o PM foi socorrido e o bandido morreu. Foi a primeira vez que vi uma coisa assim”, afirma. 

Segundo o auxiliar de escritório, o número de assaltos cresceu no bairro nos últimos anos. “Diariamente, moradores pedem policiamento para o bairro. A qualquer hora do dia, eles assaltam pedestres, alunos, pessoas nos pontos de ônibus. Não temem nada. Está insustentável."

Nesta manhã, enquanto via o criminoso morto em um táxi, um outro motorista do serviço se emocionou ao lembrar que há um mês foi sequestrado por bandidos e passou por quase cinco horas sob a mira de uma arma. “Já era noite quando um grupo fez sinal. Eu estava na Avenida Dom Hélder Câmara. Eles entraram e logo em seguida anunciaram o assalto. Fui levado até Quintino e lá fiquei."

De acordo com o taxista, durante todo o tempo os suspeitos foram agressivos. “Eles estavam bem vestidos. Levaram mais de R$ 1,2 mil que estava comigo no carro. Pensei que iria morrer”, recorda. “A vida de um taxista não é boa. Estar aqui agora é rever um filme. Taxista é trabalhador e precisa levar o pão de cada dia para casa. Há dois anos como taxista, eu, ultimamente, só trabalho até as 22h. Tenho uma filha de 8 anos para criar e contas a pagar. Mas a vida vale muito mais”, conclui.

Moradores relatam insegurança apesar do Méier Presente

Mesmo com o patrulhamento de policiais do programa Méier Presente, moradores afirmam que a violência não diminuiu na região. Quem vive no bairro diz que, por conta da insegurança, tem mudado a rotina. “O programa não adiantou nada. Os militares ficam parados, conversando e mexendo no celular. Enquanto os criminosos estão aproveitando e assaltando em outras ruas. Eu caminhava antes das 7h da manhã todos os dias. Hoje caminho depois que os comércios estão abertos”, comenta Sônia Maria Machado, 70 anos. Segundo a dona de casa, muitos amigos e, inclusive ela, saíam à noite para shows no Imperator. Hoje, isso é impossível.

“Não vejo respostas dos agentes do Méier Presente. Moro aqui há anos e os moradores estão abandonados pela segurança. Minha rua é deserta e é rota de fuga para os bandidos. Hoje, não tem hora para eles agirem”,  afirma a também dona de casa, Sônia Lanes, 66 anos. Ela ainda faz um desabafo: “Não podemos nos enclausurar. Alguém tem que fazer alguma coisa. É lamentável nós termos que ficar em casa e eles (os bandidos) soltos."

Procurada pelo DIA, a Operação Méier Presente informou que atua diariamente, das 6h às 22h, em 64 ruas do Méier. Segundo o programa, desde o início de suas atividades, 1.131 pessoas foram presas em flagrante, 298 delas por roubo e furto, e cumpriram 127 mandados de prisão. "Apenas nos últimos 3 meses foram capturados cerca de 30 foragidos da Justiça, a maioria por roubo e tráfico de drogas", disse o Méier Presente.

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