Ativista do Complexo do Alemão é vítima de racismo: 'Olha o tipo de gente que anda de avião'

Caso aconteceu no Aeroporto Santos Dumont, quando Rene Silva embarcava em um voo para BH

Por O Dia

Rene Silva
Rene Silva -

Rio - Rene Silva, fundador do jornal Voz das Comunidades e ativista do Complexo do Alemão, foi vítima de racismo, na manhã desta sexta-feira, no Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio. De acordo com o relato do jovem, de 24 anos, em uma rede social, ao embarcar em um voo para Belo Horizonte, uma senhora reparou nele e fez comentários racistas para uma amiga dela.

"Ao me ver entrar no avião, ela começou a dizer que 'tá uma bagunça mesmo o Brasil... Porque antigamente isso aqui era coisa pra gente chique e que hoje em dia qualquer um tá voando'", escreveu o ativista. "Apontando com os olhos para sua vizinha de poltrona chique, ela ainda solta 'olha o tipo de gente que anda de avião!' e finaliza com um 'por isso que esse país não tem mais jeito'", relatou.

Rene disse que ficou sem reação na hora e deu um sorriso grande demonstrando "sim, você vai viajar no mesmo avião que eu, senhora". "Mas por dentro eu ainda estou tentando entender como um ser humano é capaz de fazer isso e magoar o outro assim... Desse jeito! Inadmissível, gente!", desabafou. 

"Eu teria milhões de coisas para falar, mas não saía nada. Porque ela estava falando bem na minha cara, olhando pra mim. Foi muito ruim", disse o comunicador ao DIA. Ele disse que não irá tomar medidas legais por acreditar na impossibilidade de identificar a autora das ofensas. "Não sei quem é a mulher, não tenho foto, nem nada do tipo", lamentou. 

Rene foi considerado um dos 100 negros mais influentes do mundo em 2018 pela organização Mipad (Most Influential People of African Descent, ou Afrodescendentes mais influentes, em português.

Em menos de um mês este é o segundo relato de racismo sofrido por Rene

No dia 21 de julho, o comunicador usou as redes sociais para relatar um outro episódio de racismo sofrido por ele durante o aniversário de uma amiga em um bar do Catete, na Zona Sul do Rio. "Fui o primeiro a chegar, por volta das 19h30 ainda. Pedi refrigerante, petiscos e tudo mais. Aí quando eu me levanto às 9h e pouquinho, sou olhado de cima a baixo pelo senhor que estava atrás do balcão do caixa ao perguntar onde ficava o banheiro. Depois de analisar bem minha roupa, meu estilo, minha cor, perguntou porque eu queria ir ao banheiro e se eu estava consumindo algo", escreveu. 

"Neste momento o garçom apareceu e imediatamente falou comigo: 'é por ali, atrás daquela parede lá' e continuou falando com o senhor. Só consegui ouvir até a parte que ele dizia: ele tá aí desde cedo consumindo. É triste saber que estamos tão longes do fim do racismo, mas a luta não pode parar", completou o jovem. 

 

 

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