Na plateia, bandidos surgem armados com fuzis e pistolas no baile funk do Complexo da Penha - Reprodução de vídeo
Na plateia, bandidos surgem armados com fuzis e pistolas no baile funk do Complexo da PenhaReprodução de vídeo
Por Bruna Fantti

Rio - Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um grupo de homens armados durante o Baile da Gaiola, no Complexo da Penha. A filmagem, de acordo com o delegado Rodrigo Freitas, titular da delegacia da Penha, será anexado a um inquérito que já possui cinco volumes a respeito da festa. Organizado por barraqueiros, o baile chega a reunir 30 mil pessoas e não possui autorização das autoridades para a sua realização.

Nas imagens, pelo menos quatro homens aparecem armados - dois com fuzis e dois com pistolas. Durante a apresentação, junto com a multidão, eles cantam uma música em homenagem à quadrilha Comando Vermelho. No palco, um homem gesticula insinuando empunhar armas. O funk cantado se chama 'Faixa de Gaza' e possui um trecho que diz: "Na guerra é tudo ou nada, várias titânio [gíria para munição] no pente, colete à prova de bala, nós desce para a pista para fazer o assalto" (sic).

Baile investigado como encontro de chefes

Na semana passada, O DIA mostrou que a polícia apura se o baile serve de encontro para chefes do Comando Vermelho de diferentes partes do estado. Nessas reuniões, eles definiriam expansões do tráfico e invasões de outras comunidades.

As informações de inteligência serviram para o Exército realizar uma operação no dia 20 de agosto, um dia após o término do baile. Na ocasião, os militares conseguiram pegar de surpresa os traficantes.

Dois homens, apontados como chefes do tráfico, foram baleados: Eber do Nascimento Cândido, o Ebinho do Jacarezinho, foi reconhecido por agentes da Dcod ao ser filmado sendo socorrido dentro de um táxi. Ao lado dele, uma mulher gritava pedindo passagem para o suposto morador baleado. Já Antônio Bruno, de 32 anos, o Costelão, que mandou pendurar uma faixa proibindo o roubo na Praça Seca, foi morto. Um terceiro chefe do tráfico, Charles Jackson Batista, o Charlinho do Lixão, chefe em Duque de Caxias, teria sido baleado mas conseguiu fugir.  Na mesma operação, três militares do Exército foram mortos e também, no total, cinco homens apontados como traficantes.

No inquérito da 22ªDP (Penha), um barraqueiro, que seria o organizador da festa, foi intimado a depor. "No início era só música no Bar da Gaiola. Depois, reunimos 49 barraqueiros e resolvemos fazer o baile", afirmou à polícia. Ele confirma que a festa começa no sábado à noite e termina por volta de meio-dia de domingo. No depoimento, negou ver homens armados durante a realização do evento.

O DJ Rennan, principal atração, também depôs. Ele negou participação do tráfico na realização do evento. No set list do baile há músicas que seriam de apologia ao crime e na internet também há imagens de homens empunhando armas na festa, enquanto ele realiza apresentações.

Perfis do Twitter do Baile que realizam seguidas postagens de apoio a traficantes e contra a presença de militares também estão sendo investigados. Em uma mensagem, está escrito: "A ordem é todo mundo descer para a pista e taca fogo em tudo", seguido do sinal de dois dedos erguidos, em alusão ao 'V' de Comando Vermelho. Em outras postagens, há torcida para a saída do Exército do local e mensagens de ódio à corporação.

"Esse material está sendo investigado. Confirmamos a desordem urbana mas seguimos na linha de provar a associação ao tráfico", disse Rodrigo Oliveira, titular da delegacia da Penha, que já identificou líderes dos bandos da região.

Um deles, que já possui mandado de prisão, é Edgar Alves, o Doca. Outro é chamado de Pedro Bala. Ele teria habilidades de atirador de elite e é conhecido como matador de policiais. Já em relação ao Alemão, vizinho ao Complexo da Penha, a Polícia Civil aponta Luciano Martiniano, o Pezão, que se encontra no Paraguai, e Delson como chefes do tráfico.

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