Condenado, Garotinho ataca Justiça e adversários

Candidato ao governo pelo PRP convocou reunião de emergência com coligação

Por CÁSSIO BRUNO

O candidato ao governo do Rio Anthony Garotinho (PRP) convocou ontem reunião de emergência para tentar demonstrar força. Ele foi condenado em segunda instância por formação de quadrilha pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). O ex-governador se encontrou com candidatos da coligação PRB, PTC, PMB e Patriota para reafirmar que continua na disputa.

A reunião foi na sede do PRB, em Benfica, na Zona Norte. A decisão do TRF-2 pode tornar Garotinho inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Mas a inelegibilidade não acontece automaticamente.

Em discurso de quase uma hora, Garotinho negou as acusações, atacou a Justiça e adversários políticos e se disse vítima de perseguição. Ao lado do candidato ao Senado na chapa, Eduardo Lopes (PRB), ele declarou que recorrerá da decisão.

"Vamos recorrer. Mas é preciso estar preparado porque a campanha vai ser uma sucessão de fatos como esse: confundir a cabeça da população. Esse pessoal pode se preparar porque vamos para cima deles", ameaçou Garotinho na presença de candidatos e da militância.

Garotinho é acusado no caso que envolveu o loteamento de cargos nas delegacias do Rio durante o seu governo (1999-2002) e na gestão da sua esposa, a ex-governadora Rosinha Matheus (2003-2006) numa associação com a quadrilha do contraventor Rogério Andrade. E de não combater os jogos de azar no estado. Álvaro Lins, então chefe da Polícia Civil, foi condenado no mesmo processo.

A pena de Garotinho passou de dois anos e seis meses de prisão para quatro anos e seis meses em regime semiaberto. Ele, porém, pode continuar a fazer campanha. O caso precisa ser analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Caso o órgão entenda que ele deva sair da disputa, Garotinho tem direito de recorrer a instâncias superiores, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para Garotinho, a decisão do TRF-2 foi uma "pérola" e um "estudo sobre ilegalidade". Segundo o candidato, a condenação foi "inventada". Até ontem, ele aparecia nas pesquisas tecnicamente empatado na liderança com Eduardo Paes (DEM) e Romário Faria (Podemos).

"É tão escandalosa e vergonhosa que o TSE vai reformar essa decisão", ressaltou.

Garotinho só deixaria de disputar a eleição após a candidatura ser barrada pelo TSE. Enquanto isso, seu registro ficará sub-judice. A condenação inclui pedido de prisão, podendo acontecer na esfera federal. No ano passado, ele foi preso três vezes por crimes eleitorais.

DESEMBARGADOR NA MIRA

Garotinho acusou o desembargador Marcello Granado, relator do processo que o condenou, de apoiar a candidatura do ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC). O ex-governador reproduziu em um telão uma rede social de Granado na qual ele compartilha uma entrevista de Witzel. Garotinho declarou que avaliará se vai entrar com representação contra o desembargador no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

"Vamos deixar essas medidas disciplinares para o momento oportuno", disse.

Procurado pelo DIA, Marcello Granado não havia se pronunciado até o fechamento da edição.

 

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