ATENTADO ATINGEBOLSONARO

Homem de 40 anos esfaqueou o candidato do PSL durante ato de campanha em Juiz de Fora. Deputado, que correu risco de vida, foi operado e ficará fora das ruas

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Um ajudante de pedreiro de 40 anos, desempregado, atacou ontem o candidato a presidente do PSL, Jair Bolsonaro, com uma faca, levando a campanha política para um caminho potencialmente perigoso. Para tentar conter um movimento de acirramento na violência, todos os adversários do deputado federal na corrida ao Planalto manifestaram prontamente repúdio ao atentado. Bolsonaro pode ficar impossibilitado de seguir fazendo atividades de rua até o fim do primeiro turno.

"As lesões colocaram em risco a vida do paciente. O quadro é naturalmente grave, pela magnitude do traumatismo, mas ele está estável", afirmou o cirurgião Luiz Henrique Borsato, da Santa Casa de Juiz de Fora, na noite de ontem.

Bolsonaro foi atingido no abdômen durante ato de campanha na rua Halfeld, a principal de Juiz de Fora (MG). O candidato estava nos ombros de um correligionário, em meio a uma aglomeração de simpatizantes, fotógrafos, policiais militares e agentes da Polícia Federal que faziam a sua segurança.

Várias imagens mostram um homem se aproximando e atingindo Bolsonaro com uma longa faca. Um simpatizante do presidenciável teria percebido o movimento e empurrado o braço do agressor, o que reduziu o impacto do golpe. Logo a seguir, os agentes prenderam o homem, contendo uma tentativa de linchamento. O deputado, com expressão de dor, teve o sangue estancado por uma camisa e foi retirado do local. Ele foi levado para a Santa Casa de Juiz de Fora.

A princípio, o próprio filho de Jair, candidato a senador Flávio Bolsonaro, informou, enquanto se dirigia para a cidade, que o ferimento era superficial. No entanto, exames identificaram uma hemorragia interna. Os médicos abriram o abdômen do deputado e constataram lesões no intestino grosso e delgado e a mais grave, na artéria mesentérica. As lesões foram suturadas em cirurgia que durou mais de três horas. Depois, o deputado foi transferido para a UTI. À noite, Flávio publicaria no Twitter: "Infelizmente foi mais grave que esperávamos. A perfuração atingiu parte do fígado, do pulmão e da alça do intestino. Perdeu muito sangue, chegou no hospital com pressão de 10/3, quase morto". O fígado e o pulmão, no entanto, não foram atingidos.

CONTRA A MAÇONARIA

O autor do atentado foi identificado como Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos. Natural de Montes Claros (MG), ele mora em Juiz de Fora. Segundo familiares, nos últimos três anos, tem demonstrado instabilidade emocional. Oliveira já foi acusado pelo crime de lesão corporal, em 2013. Ele disse aos PMs que o prenderam que agiu por "questão pessoal", por conta das divergências políticas que têm com o capitão reformado.

Oliveira foi filiado ao Psol entre 2007 e 2014. Em seu Facebook, há várias postagens que refletem posições contrárias a Bolsonaro e de esquerda. A maioria das publicações, no entanto, se dedicam a denunciar uma suposta conspiração dos "maçons de direita" para conquistar o Brasil e o mundo.

 

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