Comércio do Mercado São José é despejado

Dono do espaço, INSS ganhou na Justiça o direito de reaver a área, onde havia bares, ateliê de cultura e capoeira

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Mercado recebeu Tom Jobim, BB King, Luiz Melodia e Moraes Moreira -

Comerciantes do Mercado São José, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, foram despejados na manhã de ontem, por agentes da Polícia Federal. O imóvel está sendo devolvido ao INSS, que é o dono da área.

O espaço, que é um pólo cultural do bairro carioca, era alvo de uma disputa judicial desde 1993. Lá trabalhavam diversos comerciantes, como vendedores de brechó, culinária, ateliê de cultura e um grupo de capoeira chamado Abadá, que conseguiu junto à ONU, reconhecer a capoeira como patrimônio cultural da humanidade.

Atração turística e histórica da Rua das Laranjeiras, o Mercado já recebeu visitas ilustres, como Tom Jobim, Luiz Melodia e Moraes Moreira. O saxofonista do BB King, lenda do blues, já deu uma canja no Bar do B, que chegou a ser reconhecido mundialmente. Além de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza.

O diretor cultural do Mercado São José, Carlos Newton, contesta a decisão judicial. "A posse do comércio não é do INSS e sim da Secretaria da Cultura Estadual. O juiz deu ordem erradamente de fechamento porque 11 boxes não recorreram na Justiça, já os outros quatro recorreram e estão protegidos pelo mandado de segurança. O pior dessa ilegalidade toda é que a ação que está em curso, é de rescisão de contrato. O atual responsável pelo mercado é a Secretaria de Cultura, e o INSS tem um acordo conosco que jamais foi rompido", reclamou.

Carlos Newton também citou um prédio anexo ao mercado que também é propriedade do INSS. "O prédio está abandonado a oito anos. Nós tomamos a iniciativa de botar tapumes e telhas para evitar que fosse invadido", protestou.

Marcelo Moraes e Betânia Nicolau são vendedores do Bar Cultural Mercadinho São José, e já haviam separado algumas coisas, pois já imaginavam que isso pudesse acontecer, mas mantiveram sempre a esperança. "O prejuízo é muito grande, porque temos fornecedores a pagar, as dívidas. E as pessoas ficam preocupadas achando que vamos sumir. Hoje estamos aqui, poderíamos estar trabalhando, mas estamos passando esse constrangimento ao chegar e ver o mercado fechado", Moraes.

O comerciante Wagner Alves Sanches se preocupa como os funcionários do Mercadinho irão sobreviver após o despejo. "Há sete ou oitos bares com mais de 60 funcionários e fico pensando agora como essas famílias irão sobreviver depois desse despejo. Oito comerciantes com as portas fechadas e vão ter que honrar com o compromisso da compra das mercadorias, luz, gás e aluguel de casa", lamenta.

Procurada, a assessoria de imprensa do INSS foi procurada e não se pronunciou até o fechamento desta edição.

 

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