Polícia Civil realiza operação em busca de assassinos de empresário chinês

Wang Jinhong foi morto em agosto com um tiro na cabeça. Representantes do consulado chinês cobraram uma postura firme da Delegacia de Homicídio para a elucidação do crime

Por RAFAEL NASCIMENTO

Gabriel (esq) e Wellington são acusados de integrar quadrilha
Gabriel (esq) e Wellington são acusados de integrar quadrilha -

Rio - A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) realizou, na manhã desta terça-feira, uma megaoperação na comunidade Parque das Missões, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para prender os suspeitos de matarem o empresário chinês Wang Jinhong, de 63 anos, em agosto. A Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) auxiliou na operação desta manhã, batizada de Sino-Brasileira. 

Wellington Henrique Alves, de 23 anos, e Gabriel Santos da Silva, de 19 anos, são os principais alvos desta ação. Os dois já tem passagem por roubo e porte de armas. Quatro pessoas foram presas por envolvimento com outros crimes. A operação é resultado de um trabalho de inteligência da DH, que analisou imagens de câmeras de segurança, identificou o veículo utilizado pelos criminosos e ouviu testemunhas. 

Wang passava de carro com a esposa e dois funcionários na Rua Xavier Pinheiro, esquina com a Rua Silva Fernandes, no bairro Parque Beira Mar, quando sua caminhonete foi atingida por dois tiros, um no para-brisa e outro na janela do motorista, efetuado por três criminosos. Um quarto assaltante permaneceu na direção do veículo. O comerciante foi morto com um disparo na cabeça. 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Caxias, ele chegou a ser socorrido pela Guarda Municipal e apresentava uma insuficiência respiratória, que evoluiu para uma parada cardíaca em menos de 10 minutos.

O delegado Daniel Rosa, titular da DHBF, considerou a ação dos quatro criminosos como um "ato de extrema covardia". "Conseguimos identificar dois dos quatro bandidos. Esses são moradores do Parque das Missões. Após um trabalho de inteligência, pedidos os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão nas suas respectivas casas", conta o delegado André Timoni.

A DHBF ainda descartou a hipótese de ter ocorrido um arrastão minutos antes do crime. "Eles tentaram assaltar a vítima, que se assustou, e eles atiraram covardemente na cabeça do empresário. Pedimos que a população denuncie esses criminosos", completou o delegado. 

O Parque das Missões fica em uma área estratégica para os criminosos por ser margeado por duas das principais vias do Rio — Linha Vermelha e a Rodovia Washington Luiz. Mesmo tendo um intenso tráfico de drogas, a Polícia Civil descobriu que bandidos daquela região são os responsáveis por roubos de carros no entorno da favela. Inclusive, o veículo usado pelos criminosos no assassinato no empresário foi fruto de um roubo dias antes. 

“Eles agem assim: param, rendem as vítimas e levam seus veículos. Eles são um grupo de criminosos covarde”, diz Timoni.

Representantes do consulado chinês estiveram na sede da DHBF, em Belford Roxo, no dia do crime para pedir mais explicações da Polícia Civil sobre a morte do empresário Wang Jinhong e cobrar uma postura firme na elucidação do crime. O consulado da China não comenta a morte.

Wang Jinhong era morador de Teresópolis, na Região Serrana, e sócio em uma pastelaria que fica no bairro Várzea. Ele vivia há 20 anos no Brasil e tinha visto de permanência no país. 

Crime perto de órgãos da prefeitura de Caxias

Entre as duas ruas que ocorreu o crime, a cerca de 10 metros, funcionam o Quartel General da Guarda Municipal de Duque de Caxias, a Defesa Civil e a Secretaria de Políticas de Segurança do município. No momento do crime, não existia guarda municipal e muito menos viatura da PM no entorno. 

PM chegou a prender suposto criminoso

No afoito de desvendar o crime, a Polícia Militar, no dia 28 de agosto, chegou a prender um homem que a corporação suspeitava ser um dos envolvidos na morte de Jinhong. Naquela ocasião, a PM disse que policiais militares do 15º BPM (Duque de Caxias), após uma denúncia de que o suspeito estaria em uma casa no bairro Parque Beira-Mar, foram até lá e realizaram a prisão. Após ser levado pela DHBF, foi descoberto que ele não tinha nenhuma ligação com o crime e em seguida foi liberado.

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