Apresentações do Plateias Hospitalares são realizadas em seis unidades no Rio - Divulgação/Daniel Lobo
Apresentações do Plateias Hospitalares são realizadas em seis unidades no RioDivulgação/Daniel Lobo
Por WILSON AQUINO

Rio - Os velhinhos internados no Hospital estadual Eduardo Rabello, em Campo Grande, recebem amanhã, no Dia Nacional do Idoso, um atendimento especial. A consulta será com os Doutores da Alegria. O Eduardo Rabello foi o primeiro hospital planejado, arquitetado e construído para atendimento geriátrico especializado na América do Sul.

A trupe que introduziu a arte do palhaço no universo da saúde há mais de 25 anos e se notabilizou pelo trabalho desenvolvido nas alas pediátricas dos hospitais, também faz intervenções artísticas para os idosos, por meio do projeto Plateias Hospitalares, que existe há nove anos.

"O Plateias Hospitalares abre a possibilidade de um conceito novo, de hospitais como produtores de saúde pública com arte. Além disso, amplia a missão da organização, já que passa a atuar junto a pacientes adultos e idosos em hospitais gerais ou especializados como tuberculose, hanseníase e geriatria", afirmou a coordenadora do projeto, Silvia Contar, destacando ainda que cada uma das unidades hospitalares tem características próprias que exigem cuidados específicos.

Segundo a geriatra Letícia Barreto, as intervenções artísticas em hospitais ajudam no alívio da dor. Para ela, projetos como os desenvolvidos pelos Doutores da Alegria podem alterar a vida, o bem-estar e até mesmo o quadro clínico de pacientes hospitalizados. "Provocam no paciente fragilizado uma experiência alegre, trazendo o que há de potente naquele indivíduo", garantiu a geriatra.

Letícia afirma que a arteterapia traz benefícios como redução dos sintomas depressivos, contribuindo para o autoconhecimento e o resgate da autoestima e confiança de idosos.

Silvia Contar destaca que o objetivo do projeto é trabalhar para que, cada vez mais, o hospital seja um espaço não somente de cuidado, mas de promoção da saúde, em que a arte é coadjuvante. Segundo ela, o diferencial do Plateias Hospitalares é abrir um novo espaço para difusão da cultura, preparar artistas de outras linguagens que nunca tiveram contato com o ambiente hospitalar e buscar sempre a excelência artística.

"Vemos que as equipes dos hospitais se mobilizam muito para nos receber, o impacto da apresentação, mesmo sendo mensal, continua reverberando até a nossa volta", garantiu. Para Felipe Haiut, um dos integrantes do grupo que fará apresentação para os idosos internados no Eduardo Rabello, é impensável, atualmente, um hospital que não tenha música e teatro. "Quando deslocamos o teatro e a música do espaço tradicional e levamos para o hospital entendemos a potência que essas linguagens artísticas possuem. Levar arte para dentro dos hospitais é fundamental".

A preparação do artista para trabalhar no ambiente hospitalar é fundamental. "Nós é que estamos invadindo o espaço dos pacientes, onde se encontram desapropriados de seus pertences e sofrendo procedimentos invasivos", destacou Silvia.

Em nove anos, 450 apresentações

Inspirado no projeto americano Hospital Audiences, o Plateias Hospitalares está presente em seis hospitais públicos estaduais e tem parceria com as secretarias de estado e municipal do Rio. Desde 2009, já foram mais de 450 apresentações, envolvendo mais de 300 artistas, para 90 mil pessoas. Entre as linguagens artísticas oferecidas estão o teatro, a música, o circo, a dança, a poesia, entre outras.

"Procuramos levar espetáculos que falem de memória ou que despertem recordações afetivas, como as marchinhas de Carnaval ou músicas do Roberto Carlos", explicou Silvia.

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