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Polícia vai investigar se agentes penitenciários participaram do sequestro de presa

Criminosos sequestram detenta na porta de presídio, em Benfica, para cobrar dívida

Por RAFAEL NASCIMENTO

Imagens de câmeras de segurança flagraram momento em que a presa X deixa o presídio, em Benfica
Imagens de câmeras de segurança flagraram momento em que a presa X deixa o presídio, em Benfica -

Rio - A Polícia Civil vai investigar se agentes do Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, na Zona Norte do Rio, estão ligados ao sequestro de uma mulher, esposa de um ex-traficante do Comando Vermelho (CV) de Duque de Caxias, que cumpre o regime semiaberto no local. O sequestro aconteceu às 6h, no dia 26 de setembro. A detenta X, de 52 anos, que está presa desde 1998 por diversos crimes, inclusive por participar de diversos sequestros, estava indo trabalhar quando foi apanhada por criminosos e levada a um cativeiro.

Segundo as investigações, ela teria ficado por quase 10 horas sob a mira de armas e por várias vezes foi agredida com socos, chutes e pontapés. A mulher só foi solta no mesmo dia após seu filho pagar R$ 10 mil de resgate para os suspeitos e se comprometer a pagar mais R$ 500 mil em uma data agendada.

Os agentes já sabem que colegas da vítima passaram informações privilegiadas sobre sua rotina para os sequestradores.

O caso foi descoberto após duas detentas , que saiam com a mulher no momento do crime e que presenciarem o sequestro (que aconteceu dentro do perímetro de segurança da penitenciária), irem até a direção da unidade e informarem o caso. Imagens de câmeras de segurança captaram o momento em que os três homens pegaram a mulher, a cerca de 300 metros da entrada principal da cadeia. Logo após o crime, o caso foi registrado na 21ª DP (Bonsucesso).

De acordo com os investigadores, os bandidos queriam dinheiro que a mulher guardava em casa, fruto de ações criminosas do seu marido — assassinado no fim do ano passado. "(Os sequestradores) tinham informações de que ela tinha uma grande quantidade de dinheiro em espécie guardado. Esse montante era fruto das ações criminosas do seu ex-marido enquanto era vivo", diz o delegado Flávio Almeida Narcizo, da 21ª DP.

O DIA apurou que, após a morte do traficante, X teria recebido uma espécie “de seguro de vida” no valor aproximado de R$ 1 milhão.

Mesmo após o pagamento de resgate, as intimidações e extorsões contra a mulher continuaram por quase três semanas. "Identificamos que, mesmo após o dinheiro ser pago, ela continuou recebendo ameças. Eles tinham informações de que ela tinha uma grande quantidade de dinheiro e eles queriam", completa o delegado.

Planos do sequestro

Dentro da Instituto Penal Oscar Stevenson, a mulher teria comentado sobre o “seguro de vida” — que despertou inveja em uma presa do Terceiro Comando Puro (TCP). De acordo com as investigações, ela teria sido a mentora do sequestro de X.

Na noite da última terça-feira, os agentes identificaram as últimas ligações telefônicas com as ameaças e extorsões. No dia seguinte, o mototaxista José Aciole Teixeira de Medeiros foi preso. Ele foi surpreendido quando recebia uma bolsa onde ele acreditava conter o restante do pagamento da vítima.

Segundo a Polícia Civil, o filho de X, que pagou os R$ 10 mil, reconheceu o homem que recebeu o montante. Além do homem preso em flagrante, outra detenta do TCP que cumpria pena na mesma unidade prisional foi identificada como uma das interlocutoras da extorsão.

O depoimento de X

Na delegacia, a mulher contou que ficou ao lado de pelo menos 10 homens durante o tempo de cárcere. O DIA apurou que, a Polícia Civil ainda tentou levar a mulher a alguns locais próximos, mas ela não teria reconhecido o trajeto do crime.

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que a direção da unidade comunicou a Corregedoria e a Superintendência de Inteligência do Sistema Penitenciário sobre o crime, que encaminharam testemunhas para a 21ª DP. Ainda de acordo com a Seap, no mesmo dia, a interna retornou à prisão com escoriações e foi encaminhada para a mesma delegacia. A direção da unidade também informou ao Juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) sobre o caso. 

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