Procurador regional da República chamou Alerj de "propinolândia"Luciano Belford/Arquivo/Agência O Dia
Por Adriana Cruz e Thiago Antunes
Publicado 12/11/2018 23:35

Rio - O desembargador federal Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), decidiu por converter a prisão temporária em prisão preventiva de 10 acusados presos na Operação Furna da Onça, que apura esquema de propina na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). No texto, divulgado por volta das 23h, Gomes aceitou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) para os deputados estaduais André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinícius 'Neskau' (PTB) e do secretário de Governo Affonso Henrique Monnerat, de Daniel Martins (enteado de Luiz Martins), do ex-chefe de gabinete do deputado André Correa, José Antonio Wermellinger Machado e de Leonardo Mendonça Andrade, assessor do deputado Marcos Abrahão. 

O pedido do órgão, acolhido em parte pelo desembargador, se baseou na suspeita de um possível vazamento da ação e as prisões garantiriam a preservação da ordem pública, considerando "os graves crimes praticados e as tentativas de destruir provas".

O magistrado também decretou a prisão preventiva dos irmãos Andreia Cardoso do Nascimento e Fabio Cardoso do Nascimento, assessores do deputado Paulo Melo e reiterou as prisões dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. 

O Ministério Público Federal havia pedido, ainda, a decretação de prisão preventiva do deputado Marcelo Simão (PP), da diretora de registros do Detran Carla Adriana Pereira e de Magno Cezar Motta, assessor do deputado Paulo Melo.

Gomes decidiu não acolher o pedido e substituiu as penas por medidas alternativas. O deputado Simão não pode comparecer à Alerj, está proibido de sair do país e terá que entregar seu passaporte. Já Carla Pereira e Magno Motta foram suspensos de seus cargos públicos e proibidos de entrarem e frequentarem o Detran e a Alerj. Os dois também terão de entregar seus passaportes e estão proibidos de deixar o Brasil.

Alcione Chaffin Andrade Fabri, chefe de gabinete do deputado Marcos Abrahão (Avante) e Jorge Luis de Oliveira Fernandes, ligado ao Coronel Jairo (MDB), terão suspensos o exercício da função pública. Já o ex-presidente do Detran, Leonardo da Silva Jacob, e a ex-chefe de gabinete do deputado Edson Albertassi, Shirley Aparecida Martins Silva, estão proibidos de exercer cargos públicos. Eles também terão de entregar seus passaportes em até 48h.

Nada foi pedido pelo MPF em relação ao deputado eleito Vinicius Farah, Jennifer Souza da Silva, Jorge Luiz Ribeiro e Marcus Wilson Von Seehausen. 

O esquema de lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) movimentou ao menos R$ 54 milhões, de acordo com Ricardo Saadi, superintendente da Polícia Federal.

De acordo com a investigação, que foi iniciada em 2011 e terminou em 2014, a organização criminosa era chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral, que pagava propina a deputados estaduais, para que patrocinassem interesses do grupo criminoso na Alerj. O "mensalinho" ia de R$ 20 mil reais a R$ 900 mil por mês.

Para Carlos Aguiar, Procurador Regional da República, ao longo dos anos a Alerj se tornou uma "Propinolândia". "Essa organização é ainda atual e causa efeitos desastrosos ao Rio", afirmou. "Infelizmente, obtivemos provas de um sistema de corrupção desde o ex-governador Cabral que estabeleceu uma relação de promiscuidade de 'toma lá da cá' para que os deputados atuassem no interesse dessa organização criminosa", completou.

"Não estamos investigando deputados ou Alerj, e sim pessoas que se valiam de cargos para perpetuar seus poderes políticos. Eles lotearam o Rio em uma fatia de bolo e fizeram isso com um esquema de pagamento de dinheiro em espécie de propina", concluiu Aguiar.

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