PF pede acesso à apuração estadual do caso Marielle

Desde o mês passado, a PF apura se uma organização criminosa atua para atrapalhar as investigações e se há omissão por parte das autoridades

Por O Dia

Miliciano é um dos suspeitos da morte de Marielle Franco
Miliciano é um dos suspeitos da morte de Marielle Franco -

Rio - A Polícia Federal (PF) pediu acesso às investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, segundo informações da TV Globo. Desde o mês passado, a PF apura se uma organização criminosa atua para atrapalhar as investigações e se há omissão por parte das autoridades. No pedido de abertura das investigações federais, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que foram relatadas ilegalidades graves na condução deste caso.  

No final de novembro, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que não há garantias de que o assassinato da vereadora e de seu motorista conseguirá ser elucidado ainda este ano. Segundo Jungmann, "existiria uma grande articulação envolvendo agentes públicos, milicianos e políticos" atuando para impedir a resolução do caso. "Eu diria que (o envolvimento deles no crime) é mais do que uma certeza", insistiu.

À época, Jungmann declarou que a Polícia Federal (PF) passou a atuar mais diretamente no caso no início de novembro, apesar de ter se oferecido para ajudar nas investigações no dia seguinte ao assassinato, em março - o que foi descartado pelo governo do Estado.

"A Polícia Federal - que nós oferecemos mais de uma vez que ela viesse para cá - é uma das melhores polícias investigativas do mundo, e eu acredito que ela vai, sim, avançar. Vai avançar esclarecendo o complô dos poderosos, dos podres poderes, que eu tenho certeza que é fundamental acabar com eles para o bem da sociedade do Rio de Janeiro", afirmou Jungmann.

Apesar de admitir que o caso talvez ainda demore, Jungmann assegurou que o mesmo será elucidado. "Nós vamos chegar em quem for. A Polícia Federal tem distanciamento suficiente, e é fundamental para poder avançar nesse processo de faxina do Rio de Janeiro, e é disso que se trata."

No início de novembro, o ex-juiz federal Sérgio Moro afirmou que, assumindo o Ministério da Justiça e da Segurança Pública do Governo Bolsonaro (PSL), vai ver "o que é possível fazer" no caso do assassinato da vereadora e do motorista.

"Não desconheço o problema que envolve o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do senhor Anderson Gomes, acho que é um crime que tem que ser solucionado. Assumindo o Ministério, pretendo me inteirar melhor dessas questões e ver o que é possível fazer no âmbito do Ministério", declarou Moro na ocasião.,

*Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil

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